No próximo dia 7 de outubro, o eleitor brasileiro iniciará a escolha do novo presidente e governadores [VIDEO], que pode ser em primeiro ou segundo turno, além de dois senadores por estado e deputados federais e estaduais. Para esses cargos, não existe segundo turno, exceção feita aos senadores, onde os dois mais bem votados são eleitos.

Já para os cargos do legislativo, ou seja, deputados, existe outra maneira de se apontar quais serão os escolhidos a ocuparem as vagas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas dos estados, onde um candidato pode ser eleito mesmo tendo menos votos que outro concorrente, que ficou de fora.

Para saber quantos candidatos de cada partido ou coligação foram eleitos é preciso entender dois sistemas, chamados de quociente eleitoral e quociente partidário.

Quociente eleitoral

Quociente eleitoral que é a divisão dos votos válidos – ou seja, brancos e nulos, são desconsiderados -, pelo total de vagas a serem ocupadas em cada parlamento. Um exemplo simples: se na eleição houve 20 milhões de votos válidos e existem 40 cadeiras a serem preenchidas, então o quociente eleitoral é de 500 mil de votos. Vale lembrar que, nesse sistema, o eleitor não precisa necessariamente escolher um nome, podendo também votar apenas na legenda do partido.

Quociente partidário

Conhecido o resultado do quociente eleitoral, agora é preciso fazer um segundo cálculo, que é chamado de quociente partidário, que nada mais é do que a divisão dos votos de cada partido ou coligação pelo quociente partidário.

Ou seja, se tal partido ou coligação tiver, por exemplo, 3 milhões de votos, significa, então, que ele terá direito a seis cadeiras no parlamento.

Novo sistema barrará candidatos com votações inexpressivas, mas beneficiados por puxadores

Em 2002, o candidato Enéas Carneiro teve mais de 1 milhão e 500 mil votos, número bem superior ao quociente eleitoral, o que fez ele “puxar” outros cinco candidatos que tiveram votações pouco expressivas – um deles teve apenas 275 votos - em detrimento de candidatos de outras chapas, que apesar de serem bem votados, não conseguiram se eleger, como foi o caso do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, que conquistou mais de 84 mil voto e não se elegeu.

Para evitar esse tipo de situação [VIDEO], a partir desta eleição – e isso também valerá quando forem escolhidos os vereadores, daqui a dois anos – um candidato, para ser eleito, precisará atingir um mínimo 10% do quociente eleitoral, no caso do exemplo citado acima, 50 mil votos.

Nas últimas Eleições, o quociente eleitoral em São Paulo para eleger um deputado federal foi de 299.943 votos. Mais bem votado naquele pleito, o apresentador Celso Russomano (PRB), conquistou 1.524.361, não apenas garantindo sua vaga, como também de outros quatro colegas. Um deles foi o advogado Fausto Pinato, que conseguiu 22.097, mas se já vigorasse na nova regra, ficaria fora, uma vez que não atingiu os 10% do quociente eleitoral daquele pleito.