Um dos principais membros do Ministério Público Federal e coordenador-geral da força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato [VIDEO], procurador Deltan Dallagnol se manifestou de modo contundente em relação as investigações durante o pleito eleitoral [VIDEO] deste ano.

Impacto das investigações na eleição

De acordo com o procurador Deltan Dallagnol, as investigações devem continuar, mesmo que sejam desencadeadas durante o período eleitoral. Dallagnol exemplificou as ações tomadas por investigadores e que atingiram Beto Richa (PSDB), ex-governador e postulante ao cargo de senador pelo estado do Paraná, além de dois candidatos à Presidência da República, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad.

Durante entrevista ao UOL, Deltan Dallagnol foi contundente ao afirmar que "o Ministério Público Federal deveria agir no tempo das investigações e no tempo inerente à justiça". O coordenador da Lava Jato foi ainda mais longe, ao concluir que as investigações não devem se basear "no tempo da política". Além de Dallagnol, também concedeu entrevista outro procurador considerado um dos mais influentes da Operação Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima.

Dallagnol expressou preocupação com acusações dirigidas contra as investigações da Lava Jato em período eleitoral. O procurador afirmou que "a grande questão se refere não ao momento da acusação, mas sim, se a mesma estaria lastreada em provas que venham a sustentá-la".Quando questionado sobre investigações que envolvem dois presidenciáveis; o ex-governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, e o ex-prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, do PT, Dallagnol disse: "se existem provas relacionadas à acusação, deve ser oferecida denúncia, em que a pessoa estaria sujeita à iniciação de processo como qualquer outra pessoa, pois, a lei vale para todos".

O procurador foi ainda mais incisivo ao revelar que "se você esperar (procuradores e promotores), estaria beneficiando aquela pessoa que seria acusada". Já o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que "procurador tem que ter couro duro", em alusão às críticas recebidas de que as ações de investigação seriam politiqueiras. Lima ressaltou que "se a denúncia for constatada como boa, a mesma fala por si e responde por si". Ambos procuradores entrevistados compreendem que deve-se primar pela maturidade de todas as evidências e provas obtidas no decorrer do processo de investigação.