De acordo com informações divulgadas pelo UOL e reproduzidas pelo site "O Antagonista", existem indícios fortes colhidos por autoridades que atuam tanto em nível estadual quanto federal de que grandes facções criminosas já estão agindo para tentar influenciar o resultado final das eleições de 2018 em ao menos nove Estados brasileiros.

Os locais onde o crime organizado pretende obter algum tipo de benefício próprio estão espalhados por todas as cinco regiões nacionais.

No entanto, essa interferência danosa pode ser bem maior do que aquela conhecida publicamente, uma vez que as investigações a respeito de infiltrações de bandidos na política costumam correr em segredo judicial.

Este alerta preocupante foi dado por Thiago Hauptmann Borelli Thomaz, coordenador-geral da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal (DELINST) – repartição responsável por lidar, entre outras atribuições, com crimes eleitorais.

O delegado revelou ao UOL que o temor de que o crime organizado intervenha no pleito nacional nunca foi tão grande quanto está sendo neste ano, e ele elencou as três principais preocupações da polícia em relação à atuação das facções: coação de eleitores, para que estes votem nos candidatos apoiados pelos marginais; candidaturas de integrantes de facções ou de pessoas ligadas a elas; e financiamento ilegal de candidatos ou mesmo de partidos.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Eleições

PCC, Comando Vermelho e FDN agindo na política

Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, pelo menos 20 candidatos (10 em cada Estado, respectivamente) são investigados sob a suspeita de terem ligações com as duas maiores facções criminosas do Brasil: o Primeiro Comando da Capital (PCC), de origem paulista, e o Comando Vermelho (CV), fundado em território carioca.

Em São Paulo, por exemplo, um candidato do Partido Trabalhista Cristão (PTC), cuja identidade é mantida em sigilo pelas autoridades, está sendo sondado porque seu irmão – um rapper – sabidamente mantém ligações com o PCC.

No Rio de Janeiro, além das candidaturas de pessoas possivelmente associadas a criminosos, ainda existe a preocupação por parte dos investigadores a respeito da eleição de aliados dos assim chamados milicianos – para se ter uma ideia da gravidade da situação, no último dia nove uma reportagem publicada por "O Globo" revelou que existem pelo menos 300 pontos espalhados por aquele Estado que funcionam como verdadeiros "currais eleitorais" controlados por traficantes ou por milicianos, onde apenas os candidatos "aprovados" por eles (e dos quais eventualmente são cobrados "pedágios") podem fazer campanha.

Na região Norte, o grupo que tenta se beneficiar das Eleições é a FDN, ou Família do Norte, fundada no Amazonas e que controla os presídios do Estado. O UOL, inclusive, obteve um documento onde a Polícia Militar afirmou que não teria condições de garantir a segurança das eleições em Manaus em função da guerra entre facções – em especial entre FDN e Comando Vermelho –, o que obrigou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a aprovar no último dia 10 o envio de tropas para 25 cidades amazonenses, de modo que processo de votação nesses lugares possa ocorrer.

No Nordeste, por sua vez, as autoridades também encontraram indícios de que algumas facções estão tentando coagir a população, de modo que o povo não vote em determinados candidatos – e entre os quais está listado Jair Bolsonaro (PSL). Este é o caso, por exemplo, do Ceará, onde uma espécie de "comunicado" atribuído ao Comando Vermelho determinava que os comícios dos políticos incluídos na mensagem estavam terminantemente "proibidos" nas áreas controladas pelos marginais.

Busca pelo poder político

O UOL entrevistou dois pesquisadores para entender o porquê de facções criminosas quererem se infiltrar na política. Na visão de Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), e Julita Lemgruber, socióloga e diretora de um centro de estudos ligado à Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, o crime organizado busca o poder político para ter acesso aos recursos do Estado, de modo que suas ações ilícitas sejam beneficiadas.

Paes Manso afirmou que, durante muito tempo, os criminosos tentavam se aproximar do poder público através do suborno a policiais, fiscais, entre outros, mas agora que as facções cresceram e possuem substanciosos recursos financeiros, seus integrantes conseguem eventualmente até se eleger e ter ainda mais acesso ao poder.

Lemgruber lembrou, por sua vez, que este modo de agir representa um nível de infiltração bem mais perigoso, e exemplificou: "Imagina o que é ter um miliciano político impondo a sua vontade sobre a polícia numa determinada área. É muito mais grave".

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo