Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (18) pelo jornal O Estado de S. Paulo, Geraldo Alckmin, candidato à Presidência da República pelo PSDB, decidiu retomar os ataques no horário eleitoral ao seu adversário Jair Messias Bolsonaro, do PSL, que é líder nas pesquisas de intenção de voto.

A resolução foi tomada na tarde de hoje em uma reunião realizada em São Paulo e teve a participação da cúpula do chamado "Centrão" – grupo de partidos que se encontram no centro dos espectros ideológicos de direita e de esquerda.

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Na assembleia estavam integrantes do PSD, PRB, PTB, PR, PPS, SD e do próprio PSDB.

De acordo com relatos de participantes da reunião que foram ouvidos pelo Estadão, a estratégia foi readotada porque Alckmin aparece inerte em pesquisas de intenção de voto, e existe o medo por parte da coligação de que Bolsonaro vença a eleição presidencial já no primeiro turno, ou então que o candidato do PSL siga para uma eventual disputa de 2º turno com Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores.

O estratagema também visa impedir uma possível dispersão dos aliados do tucano através de um foco maior da sua campanha no Estado de São Paulo –maior colégio eleitoral do país, onde Bolsonaro mantém a liderança nas intenções de voto.

Somado a isso, e em uma tentativa de fazer a campanha enfim deslanchar, a nova diretriz da coligação enfatiza a pregação do "voto útil" –argumento de que a opção do eleitorado a favor de Bolsonaro beneficiaria o PT (o qual acabaria vencendo o pleito), e que, portanto, a melhor escolha para evitar esse cenário seria Alckmin–, além de reforçar a ideia de que o presidenciável do PSDB é o candidato que representa o antipetismo.

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Fim da trégua a Jair Bolsonaro

Antônio Carlos Magalhães Neto, coordenador político da campanha de Geraldo Alckmin, afirmou à imprensa logo na saída da reunião em São Paulo que o atentado sofrido por Jair Bolsonaro no último dia 6 em Juiz de Fora (MG) deixou seus adversários de campanha em "compasso de análise" (à espera de quais medidas tomar de acordo com a resolução do incidente), e que enquanto o candidato de direita se encontrava em uma situação de luta pela vida, não era "razoável" realizar certo tipo de "enfrentamento político".

No entanto, com a melhora do quadro clínico do presidenciável, os tucanos decidiram retomar os ataques –algo justificado por ACM Neto com a seguinte afirmação: "Não podemos deixar de evidenciar as fragilidades da candidatura de Bolsonaro".

Tomada a decisão, a campanha de Alckmin já iniciou os ataques, como pôde ser visto no programa político televisivo da noite desta terça-feira (18):

Reunião do Centrão é "missa de corpo presente"

Por outro lado, o coordenador da campanha de Jair Bolsonaro à presidência, Major Oímpio (deputado federal que concorre ao Senado por São Paulo), disse por telefone à agência de notícias Reuters que a reunião de Alckmin com seus aliados representa uma "missa de corpo presente" – no sentido de a campanha já estar fadada ao fracasso –, e complementou afirmando que não acredita que o Centrão pretenda se desgastar em uma coligação do tipo "barca furada".

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Olímpio admitiu ainda que já existem conversas entre dirigentes de partidos aliados a Alckmin e a campanha de Bolsonaro para prestação de apoio ao candidato do PSL em um possível segundo turno contra um representante da esquerda, mas ressaltou que ele não está participando pessoalmente desses diálogos.

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