Faltando pouco dias para a realização das eleições, que estão marcadas para o dia 7 de outubro, a senadora petista Gleisi Hoffmann, agora candidata a deputado federal pelo Paraná, acredita que o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, será solto após as eleições. As declarações da presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT) foram dadas em entrevista ao Valor Econômico.

Gleisi afirmou que Lula só está preso para não participar das eleições e que ele poderá atuar de maneira formal ou informal no Executivo caso Fernando Haddad [VIDEO] seja eleito presidente.

A senadora pelo Paraná afirmou também que Lula não precisa de indulto e, sim, de justiça e de um julgamento justo.

Segundo ela, o PT vai trabalhar para que o homem que presidiu o Brasil entre 2003 e 2010 seja liberado o mais rápido possível.

Lula está preso na sede da Polícia Federal, em Curitiba, desde maio. O ex-presidente primeiro foi condenado a nove anos e seis meses pelo juiz federal Sérgio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

No começo deste ano, o Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4) [VIDEO] aumentou a pena na segunda instância para 12 anos e um mês. Habeas corpus solicitados pela defesa foram negados no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula pode ser solto?

A legislação brasileira permite que o chefe do Executivo, no caso o presidente da República, conceda o perdão –chamado de graça– a qualquer condenado no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, somente o presidente pode realizar essa prática, que é oferecida em caráter excepcional.

A ideia da medida que aparece na CF é corrigir possíveis equívocos na aplicação da pena ou erros do judiciário. Quando Dilma Rousseff (PT) era presidente, foi cogitado que ela usasse desse artifício para tirar da cadeia condenados pelo Mensalão. Dilma não usou.

Portanto, há a possibilidade que, caso Fernando Haddad seja eleito, conceda perdão a Lula alegando que o ex-presidente foi vítima de perseguição política. Os petistas costumam alegar que Lula não é um político preso, mas um preso político.

Fernando Haddad aparece na segunda posição na disputa presidencial, atrás apenas de Jair Bolsonaro (PSL). O apoio de Lula, que ficou inelegível por conta da Lei da Ficha Limpa, permitiu que Haddad ultrapasse Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

As chances de um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad são consideradas bastante altas. Gleisi considera pouco provável que o PSDB se una ao PT contra Bolsonaro. Além disso, ela disse achar difícil Marina Silva querer apoiar o partido depois de ter criticado Lula no Jornal Nacional.