De acordo com reportagem apurada e publicada nesta segunda-feira (24) pela Folha de S.Paulo, o candidato à presidência da república pelo Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, é desconhecido entre eleitores de pequenas cidades do sertão nordestino, e mesmo assim acaba angariando uma expressiva quantidade de votos devido à popularidade regional de Luiz Inácio Lula da Silva – condenado no início de 2018 a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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Em alguns municípios, tais como Calumbi, Solidão e Quixaba, todos situados no estado de Pernambuco (cidades onde a principal atividade econômica é a agricultura), Lula conseguiu, nas Eleições de 2006, um índice de votos superior a 90%, e a transferência do seu eleitorado (especialmente dos indivíduos de baixa renda) para o sucessor, é constatada em pesquisas de intenção de voto realizadas nestes locais, sendo que o fenômeno acontece mesmo que quase ninguém sequer saiba o primeiro nome de Haddad – e como seu sobrenome é incomum, ele é chamado pelos locais de Andrade, Adauto, Adraike, Alade, Radarde, entre outros.

Além disso, o desconhecimento sobre Fernando Haddad também se reflete em outros pontos: uma parte considerável das pessoas entrevistadas pela Folha, por exemplo, também não soube dizer quais cargos políticos ele já exerceu, e nem de qual região brasileira o candidato procede. No entanto, o que mais importa para aqueles eleitores humildes é que ele é do PT – ou seja, do partido do Lula –, e isso basta para que a escolha nas urnas seja feita.

Votar em quem Lula "mandar"

Conforme a Folha revelou, quando questionados sobre em quem irão votar para presidente nestas eleições, muitos dos residentes dos municípios citados acima ainda respondem que escolherão Lula, e quando são informados de que ele não é candidato, afirmam então que irão votar em quem "Lula mandar".

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Este é o caso, por exemplo, de um aposentado chamado José Paulino Filho, de 75 anos, que disse que está "grudado" em quem o petista "mandar", acrescentando ainda que "ouviu dizer" que Fernando Haddad era filho de Lula.

Wilson da Silva (31), residente de Calumbi, foi ainda mais além, e afirmou que votaria em um "pé de planta", em uma "cachorra" ou até mesmo "num jumento" se Lula assim "mandasse", e revelou que, "se deixassem", ele iria até Curitiba para ficar na prisão no lugar do petista.

Antônia Patrícia de Lima (63), aposentada que vive em Quixaba, é outro exemplo de eleitora que não sabe dizer quem é Haddad. Mesmo assim, ela atestou que o candidato é a sua escolha preferencial em função de ele ser o indicado de Lula, e justificou sua opção com a seguinte declaração: "Mas, olhe, Deus é um só. Primeiramente Deus e depois Lula. Não, não. Troque aí. Os dois empatados. Lula e Deus".

Por outro lado, existem eleitores em Quixaba que estão buscando opções diferentes para o cargo de presidente, tais como Rosângela Ferreira (29), que vive em um sítio com a mãe e com a filha de oito anos.

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Rosângela afirmou para os repórteres da Folha que ainda está indecisa, mas que pensa em escolher Jair Bolsonaro (PSL). Já a mãe dela, Maria do Socorro (54), alegou que vota em Haddad porque ele "vai soltar Lula", e defendeu sua preferência sob a alegação de que "pobre nunca teve o que comer" no município, e que esta situação melhorou com o petista no governo – em contrapartida, a neta da mulher pensa igual à mãe, e mesmo sendo pequena já escolheu um lado, pois replicou contra a avó: "Lula nada.

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É Bolsonaro".

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