O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, publicou um despacho ressaltando ser inaceitável as críticas feitas pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a sua decisão. Os advogados Luiz Fernando Casagrande Pereira e Fernando Gaspar Neisser comentaram, numa petição enviada ao magistrado da Corte, que Lula foi "arrancado da disputa eleitoral" sem que a Corte Suprema analisasse um recurso pedido para que fosse reconsiderada a candidatura do ex-presidente.

Enfático em sua posição, o ministro afirmou que decidiu dentro do prazo imposto ao ex-presidente Lula pela Justiça Eleitoral. Celso de Mello ainda reiterou que a leitura do regimento da Corte já seria suficiente para depreender que o julgamento do recurso do petista só poderia acontecer no dia 19/09/2018, ou seja, após o prazo determinado pela Justiça Eleitoral.

O ministro disse que não entende o motivo dos advogados quererem que o prazo fosse esticado até o dia 17, para que o Plenário fizesse a votação. Mello ainda afirmou que uma decisão dele mediante os anseios dos advogados de Lula poderia causar a anulação da sua decisão.

Celso de Mello comentou, no despacho, que o processo possuía muitas páginas e ele varou a madrugada analisando toda a petição para elaborar a sua decisão.dentro do prazo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) [VIDEO].

Críticas do PT

A senadora e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, [VIDEO] criticou a demora do Supremo de não se posicionar imediatamente sobre a candidatura de Lula. Isso fez com que o prazo da TSE se esgotasse e o ex-presidente acabasse perdendo a chance de concorrer às Eleições.

Na petição de desistência, os advogados Neisser e Pereira lembraram que a presidente do TSE, Rosa Weber, autorizou que os recursos de Lula fossem para o STF.

Entretanto, a impossibilidade dos onze ministros votarem deixou em aberto questões constitucionais, declarou a defesa do petista. Os advogados ainda falaram que a democracia brasileira sempre levantará essa dúvida ocorrida com o processo de Lula.

Pedido negado

A revolta da defesa do ex-presidente é porque o ministro negou que a inelegibilidade de Lula fosse suspensa e também indeferiu o pedido para dar mais tempo antes do PT indicar um novo candidato.

Diante disso, o PT oficializou Fernando Haddad como candidato do partido à Presidência da República. Lula foi barrado pela Lei da Ficha Limpa após ser condenado pela Operação Lava Jato.