De acordo com a revista "IstoÉ" publicada sexta-feira (28), Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 meses e 1 ano de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, transformou sua cela no prédio da Polícia Federal em Curitiba em um verdadeiro quartel-general da campanha de Fernando Haddad (PT), e a partir do cárcere age ativamente para que o nome de seu indicado à presidência da República cresça nas regiões Norte e Nordeste do país.

A reportagem da "IstoÉ" revelou que as ordens do líder máximo do Partido dos Trabalhadores saem da prisão através de um modo bem simples: bilhetinhos que são distribuídos por meio de pessoas da mais alta confiança de Lula, tais como o advogado Cristiano Zanin, o deputado José Guimarães (PT-CE), o ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho e o próprio Haddad – que visita o ex-presidente com bastante frequência –, sendo que depois que deixa as dependências da Polícia Federal o conteúdo das mensagens é repassado para assessores dos políticos aos quais se destinam.

Nestas últimas semanas que antecedem a realização das Eleições, o principal objetivo de Lula tem sido ampliar a vantagem de Fernando Haddad no Norte e no Nordeste, e para tanto, o envio de bilhetes se intensificou. Os destinatários são pessoas bastante conhecidas na política: Fernando Collor (PTC-AL), Eunício Oliveira (MDB-CE), Renan Calheiros (MDB-AL), José Sarney (MDB-MA) e Valdemar Costa Neto – que embora não seja mais o presidente do Partido da República (PR), ainda manda em sua legenda.

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As ordens de Lula surtem efeito

Com exceção de Valdemar Costa Neto – o qual, segundo a "IstoÉ", acaba sendo acionado por Lula em função de o PR ter um caixa financeiro expressivo, obtido através da realização de grandes obras em rodovias espalhadas pelo país desde a época em que o partido assumiu o Ministério dos Transportes, ainda durante o governo petista –, as figuras citadas acima estavam, até pouco tempo atrás, apoiando as candidaturas de Ciro Gomes (PDT) e Henrique Meirelles (MDB), mas acabaram abraçando a campanha de Haddad à presidência.

A mudança de lado teria ocorrido porque Lula está prometendo cargos em um possível governo petista, e ordenando a distribuição de quantidades expressivas de dinheiro em troca de apoio.

A seguir, são apresentados alguns exemplos de como o ex-presidente estaria impondo sua influência:

  • No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP), que apoiava oficialmente a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), teria passado para o lado petista depois de receber um recado de Lula levado pelo deputado José Guimarães (PT), onde estava escrito: "Ciro Nogueira tem que trocar Alckmin por Haddad" – ao que tudo indica, a manobra deu resultado, pois pesquisas indicaram que as intenções de voto em Haddad subiram de 6% para 38% no Estado.
  • Em Alagoas, Lula usou Gilberto Carvalho para mandar mensagens a Renan Calheiros, que concorre à reeleição no Senado. O ex-presidente pediu que Calheiros convencesse Fernando Collor a desistir de disputar o governo alagoano contra Renan Filho – também conhecido como Renanzinho – (MDB), e em troca, Collor receberia um aumento de verbas da mídia do governo para sua TV. Fernando Collor renunciou à disputa, e Renanzinho agora conta com 65% das intenções de voto, além do fato de Haddad ter disparado de 2% para 28% na preferência do eleitorado.
  • Até mesmo no Ceará, onde a figura de Ciro Gomes (PDT) predomina, Lula teria conseguido impor suas ordens em favor do PT: José Guimarães entregou um bilhete para o governador Camilo Santana (PT) – que tinha formado uma coligação com o PDT – onde era exigido que o seu apoio se voltasse para Haddad. Houve também uma articulação com senador Eunício Oliveira (MDB) pela desistência de seu suporte a Henrique Meirelles, e, além disso, Valdemar Costa Neto teria oferecido R$ 2,4 milhões para os candidatos cearenses da legenda a deputado federal que se declarassem a favor de Haddad.

Queda de avião transportando R$ 6 milhões para campanha eleitoral

Ainda de acordo com a "IstoÉ", Lula também procura influenciar a disputa eleitoral no Maranhão, e um acidente aéreo teria exposto essa operação.

A descoberta ocorreu porque, no dia 14 de setembro, um avião monomotor experimental da "Sirrus Design" pertencente à empresa "Vokan Seguros" foi contratado pela empreiteira CLC (Construtora Luiz Carlos). A aeronave partiu do Ceará com destino a São Luis, no Maranhão, mas durante o percurso acabou caindo em Boa Viagem (CE), e a bordo, havia R$ 6 milhões sendo escoltados por um policial.

Os tripulantes escaparam ilesos, e apesar do incidente, o dinheiro levantado por Valdemar Costa Neto teria chegado sem outros problemas a Weverton Rocha (PDT), um dos principais articuladores de Ciro Gomes no Maranhão – e que precisava justamente de R$ 6 milhões para alavancar sua campanha ao Senado no Estado.

Coincidentemente, pouco tempo depois do ocorrido, Weverton passaria a apoiar Fernando Haddad.

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