Nesta sexta-feira (14), o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, respondeu ao despacho deferido na quinta (13) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, sobre o caso da ação penal que envolve o ex-ministro Guido Mantega.

Toffoli, que tomou posse como presidente da Corte, retirou do magistrado da Lava Jato a ação que investiga o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega sobre repasses recebidos da Odebrecht. Ele teria participado de negociações corruptas de caixa dois para beneficiar a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. A Segunda Turma da Corte atendeu o pedido da defesa de Mantega e, em 14 de agosto, pediu o encaminhamento do processo dele para a Justiça Eleitoral.

Entretanto, Toffoli foi acionado pelos advogados do ex-ministro afirmando que o juiz não mandou os processos para a Justiça Eleitoral e manteve tudo em Curitiba.

O presidente da Corte não gostou da atitude de Moro [VIDEO] e afirmou que ele burlou uma decisão da Suprema Corte. Dessa forma, pediu que o juiz tome as medidas necessárias para o envio do caso de Mantega à Justiça Eleitoral.

Moro retruca

O juiz Sérgio Moro [VIDEO] enviou uma resposta a Toffoli comentando sobre a sua decisão. O juiz reiterou o respeito ao eminente ministro, mas afirmou que não há contrariedade ao decidido no referido processo. De acordo com o magistrado da Lava Jato, a ação penal de Guido Mantega não tem nada a ver com a Justiça Eleitoral, mas sim, de crime de Corrupção e lavagem de dinheiro.

Moro ainda ressaltou que a Justiça Eleitoral evoluiu bastante nos últimos tempos, entretanto, dificilmente conseguirá julgar esse tipo de crime complexo que envolve o ex-ministro da Fazenda.

É o mesmo que dizer que Mantega ficou livre da Justiça perante tudo o que cometeu.

Para os advogados do ex-ministro, Moro foi desobediente em não cumprir a determinação da Segunda Turma da Corte. Porém, o juiz da Lava Jato defende que as investigações contra Mantega permaneçam com ele para que se possa chegar a um resultado contra toda essa suposta corrupção.

Ações penais

Em sua decisão, Toffoli, além de retirar de Moro a ação penal contra Mantega, também livrou outros réus das mãos do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura também serão julgados pela Justiça Eleitoral.

Para o novo presidente do STF, os crimes deles são constituídos de falsidade ideológica no campo eleitoral, ou seja, tratam de doações eleitorais relacionadas a caixa dois.