O economista Paulo Guedes, definido como ministro do próximo Governo de Bolsonaro, fez comentários que trouxeram indignação em membros do bloco Mercosul. O ministro assumirá a área da economia de Bolsonaro, porém suas declarações geraram surpresa.

Durante entrevista que ocorreu no dia eleitoral, neste último domingo (28), Paulo Guedes afirmou que a Argentina e o Mercosul não estão na lista de prioridades. O ministro disse que o ponto prioritário na gestão do governo de Jair Bolsonaro será a negociação comercial com vários países do mundo.

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Além do mais, fez críticas ao Mercosul, afirmando que o bloco se tornou muito restritivo e apontou que o Brasil teria ficado cercado de ideais ideológicas, algo que, segundo ele, não ajuda no avanço da economia.

Outro ponto levantado pelo ministro é que o bloco composto por quatro países, são eles: Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil tem "inclinações bolivarianas". No entanto, Guedes disse que essas "inclinações bolivarianas" não iriam continuar a partir do início da gestão de Jair Bolsonaro.

O polêmico político do PSL foi eleito com mais de 57 milhões de votos úteis.

Com isso, o jornal argentino "Clarín" questionou Guedes, perguntando se o bloco então seria desmembrado. O futuro ministro respondeu, dizendo que a pergunta estava mal elaborada, e completou, dizendo: "A pergunta é se vamos comercializar só com a Argentina?". Guedes respondeu que não. O economista avaliou que irá negociar com "todo o mundo". Ainda disse que não estava preocupado em agradar, pois o objetivo será sempre falar a verdade.

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Forte impacto na Argentina

O segundo maior país do Mercosul foi impactado com as afirmações do futuro ministro da área econômica. Félix Peña diretor de relações comerciais internacionais da Universidade Tres de Febrero, disse que o caso é de grande seriedade e com isso iria opinar apenas com o futuro presidente ou então com o próximo ministro que representará as Relações Exteriores do Brasil.

As afirmações de que o Brasil não dará prioridade ao bloco soaram com grande preocupação ao país.

Além do mais, o argentino afirmou que segundo acordos assinados, o Brasil está comprometido nas atividades com o Mercosul.

O ex-embaixador da Argentina no Brasil, Juan Pablo Lohlé, avaliou que as falas de Guedes soam com "preocupação e surpresa". No entanto, também afirma que isso serve como um "alerta" para a Argentina. Também já ocorreram conversas no país de que não podem ficar dependentes do Brasil, devendo procurar negociação com outros países.

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Juan Pablo Lohlé disse que a Argentina não tem plano B e que precisa mudar essa questão.

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