Nos últimos dias, de forma ainda mais explícita após a reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na quinta-feira passada, o candidato à Presidência da República Fernando Haddad vem travando uma feroz batalha contra a disseminação de notícias falsas, as chamadas fake news, mas foi o próprio candidato do PT que acabou caindo em uma delas.

Participando de uma sabatina com vários veículos de comunicação nesta terça-feira (23), o petista disse que o General Mourão, vice na chapa de Jair Bolsonaro, havia participado pessoalmente de torturas na época em que Geraldo Azevedo foi preso.

“Bolsonaro nunca teve nenhuma importância no Exército”, disse Haddad. “Mas o Mourão foi, ele próprio, torturador. O Geraldo Azevedo falou isso”, seguiu o petista repetindo a fala do artista, que em um show realizado na Bahia, afirmou ter sido torturado por Mourão. “Esse Mourão era um dos torturadores lá”.

No entanto, não existe a menor possibilidade do vice de Bolsonaro ter tido participação do episódio, uma vez que na época em que o cantor esteve preso, Mourão era apenas um adolescente de 16 anos de idade.

O cantor ficou preso durante 41 dias em 1969 e Mourão nasceu em 15 de agosto de 1953 e só foi ingressar no exército em 1972, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Três anos mais tarde, ele foi declarado aspirante a oficial da Arma de Artilharia.

Em 2014, foi publicado o relatório final da Comissão da Verdade, onde não existe qualquer menção feita ao General Mourão.

Mentira ridícula

Ao saber das declarações de Geraldo Azevedo e também de Fernando Haddad, o candidato a vice-presidente classificou o fato como uma “mentira ridícula”, que "cabe processo" contra o cantor e ainda acusou o candidato petista de “fake news”.

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“O tal Geraldo Azevedo me acusa de tê-lo torturado em 1969”, disse Mourão ao blog da jornalista Andréia Sadi, ao ser questionado sobre o assunto. “Eu era aluno do Colégio Militar em Porto Alegre. Nunca vi uma mentira tão ridícula", continuou o militar.

Com relação ao petista, Mourão questionou sua capacidade de ser presidente ao não saber distinguir o que é informação verdadeira de falsa. “O cara solta uma mentira num lugar e o Haddad compra”, disse por telefone ao jornal Folha de S.Paulo.

“É só olhar a minha idade e ver que em 1969 eu tinha 16 anos”, completou.

A assessoria do artista divulgou uma nota oficial na qual ele se desculpa pelo que chamou de equívoco, mas reforça sua opinião de que no Brasil não há espaço “para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado”.

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