Pela primeira vez desde as Eleições de 1994, as duas primeiras decididas ainda em primeiro turno, a disputa pela presidência da República não está polarizada entre PT e PSDB. E a figura de um elemento estranho, personificado em Jair Bolsonaro, tem provocado divergências e rachas nos dois partidos.

No Partido dos Trabalhadores o racha se deve aos rumos da campanha de Fernando Haddad. Uma ala defende que ele se desapegue um pouco à cartilha adotada pelo partido e à imagem ao ex-presidente Lula e passe a se apresentar como um candidato que tem opinião e personalidade.

“Menos advogado de Lula e mais Fernando”, teria dito um aliado petista.

A ala contrária a essa ideia teme que a aproximação de Haddad com políticos do centro antes do segundo turno possa afugentar eleitores tradicionais do PT e o alto comando do partido já deixou claro que rejeita qualquer chance de descolamento da cartilha original. Já o setor que é favorável à mudança de postura acredita que essa é a única possibilidade do ex-prefeito de São Paulo manter chances de vitória no segundo turno.

As últimas pesquisas eleitorais apontam empate técnico entre Haddad e Bolsonaro em um eventual segundo turno, porém existe, mesmo que muito remota, a possibilidade do pleito já ser decidido ainda neste domingo (7), dado o crescimento do adversário nas últimas semanas, aliado ao sentimento antipetismo.

Candidatura de tucano encolhida

Proporcionalmente inversa à subida de Bolsonaro, tem sido a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, que além de não ter conseguido fazer sua campanha decolar, ainda perdeu pontos, sobretudo após o atentado contra Bolsonaro e a insistência em manter ataques maciços contra o candidato do PSL. Em uma decepcionante quarta colocação, Geraldo perde nas pesquisas de intenção de votos até mesmo no estado onde foi governador por quatro oportunidades, o que tem provocado uma debandada de aliados.

Com uma poupada fatia do horário eleitoral reservado ao seu candidato, a campanha de Alckmin apostada em sucessivos ataques e Bolsonaro, que mesmo não fazendo o tucano subir nas pesquisas, aumentava a rejeição ao ex-capitão do Exército. Outra aposta será que quando Haddad fosse oficializado candidato do PT, os votos das pessoas contrárias ao partido de Lula fossem transferidos ao PSBD. Porém o que eles, e ninguém, esperavam aconteceu: a facada.

A comoção que tomou conta do atentado fez com que a estratégia de ataque fosse suspensa e isso incomodou os aliados.

Mesmo após voltar ao plano original, a campanha de Geraldo não empolgou, tampouco atraiu a multidão que se esperava. O golpe derradeiro veio nesta semana, com desfiliação de Xico Graziano, um dos fundadores do partido, que declarou voto em Bolsonaro.

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