Nesta segunda-feira (1°), o juiz Sergio Moro quebrou o sigilo de parte da delação premiada feita pelo ex-ministro Antonio Palocci, em depoimento prestado em abril deste ano. O político estima que das mais de mil Medidas Provisórias editadas nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ao menos 900 tiveram o pagamento de propina.

Palocci disse em seu depoimento, prestado em 13 de abril, que a venda de MPs (Medidas Provisórias) havia se tornado “corriqueiras”, principalmente em se tratando das vindas pelo governo.

Ele falou que algumas delas já vêm com algum tipo de “vício” visando atender aos interesses de “financiadores específicos”. Já outras que não chegam com tais “vícios” têm acrescidos em seus textos dispositivos, cuja função é beneficiar os “financiadores” quando tramitar pelo congresso.

De acordo com Palocci, essas “vendas” são apenas um dos meios de corrupção adotados pelos partidos para custear suas atividades.

Ele citou outros tipos modelos de esquemas de corrupção, tais como envio de recursos para entidades fantasmas e venda de atos de ofício por autoridades.

Um levantamento feito pela reportagem do portal UOL, após consulta ao site do Planalto, constatou que o número de Medidas Provisórias editadas pelos governos do PT entre 2003 e 2016 é bem inferior ao dito pelo ex-ministro. De acordo com a publicação, entre 1º de janeiro de 2003, dia da posse de Lula, até 11 de maio de 2016, véspera do afastamento de Dilma do cargo, foram editadas 623 MPs.

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Em outro trecho da delação, Palocci afirma que as campanhas de Lula e Dilma custaram para a Presidência R$ 1,4 bilhão. Somente na eleição de 2014 teriam sido gastos R$ 800 milhões, mais que o dobro dos R$ 350 milhões declarados ao TSE na época. Ainda de acordo com o ex-ministro, a maior parte das doações de campanha são feitas de maneira ilícita e que o Tribunal Superior Eleitoral não tem como saber a origem do dinheiro.

Defesa de Lula não gosta

O advogado Cristiano Zanin Martins, que compõe a defesa do ex-presidente, emitiu uma nota afirmando que o ex-ministro teria mentido ao falar de Lula. De acordo com o defensor, Palocci falou sem provas, visando apenas se beneficiar da delação premiada.

Martins ainda acusou o juiz Sergio Moro de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados. Ele lembra ainda que a delação foi recusada pelo Ministério Público e que o próprio Moro reconhece que a mesma não pode ser levada em consideração no processo penal.

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