O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, concedeu uma palestra na Universidade Externado, em Bogotá, Colômbia, e comentou sobre os recentes episódios em que policiais militares receberam ordens para tirar faixas de cunho político das universidades. Segundo Barroso, "a Polícia só deve entrar em Universidades se for para estudar".

Várias instituições de ensino universitário foram alvos de ações policiais mediante suposta fiscalização de suposta propaganda eleitoral nos recintos.

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Algumas mensagens também seriam destinadas à fiscais de tribunais eleitorais. Críticos desse tipo de ação acreditam que isso é uma censura que está sendo praticada nas instituições.

Um dos casos aconteceu no Rio de Janeiro. A Justiça Eleitoral pediu para que a Faculdade de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense) retirasse uma faixa contra o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL). A faixa foi removida, porém, logo em seguida, foi recolocada.

Muitas denúncias surgiram na Justiça Eleitoral em relação a isso dizendo que a universidade era alvo de propaganda eleitoral negativa contra Bolsonaro. A polícia retirou a faixa e no outro dia apareceu uma outra escrito: "censura".

Mais ações policiais

A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) também foi alvo de ações policiais. Os agentes retiraram uma faixa que homenageava a vereadora assassinada, Marielle Franco (PSOL) e uma outra escrito "Direito Uerj Antifascismo".

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Além do Rio, universidades de outros estados também foram barradas por terem divulgadas faixas com cunho-político. Os manifestos dessas universidades, em sua grande maioria, eram supostamente a favor do candidato do PT, Fernando Haddad.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande negou que as ações fossem em favor de algum candidato e sim, apenas como uma forma de defender a democracia.

'Cautela'

O ministro Gilmar Mendes falou, nesta sexta-feira (26), que é preciso "ter cautela" nesse momento, já que existem muitas manifestações a favor e contra os candidatos à Presidência.

Na quinta-feira (25), uma juíza ameaçou prender o diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense caso ele não tirasse uma faixa que falava sobre fascismo. Para o ministro, existe uma ebulição nos institutos de ensino que é muito positivo e isso, nem sempre envolve afeitos ao período eleitoral.

O ministro Marco Aurélio Mello classificou os atos como "incabíveis".

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