Apostando em uma campanha agressiva, principalmente contra Jair Bolsonaro, desde seu início, o candidato do PSDB Geraldo Alckmin não conseguiu decolar na corrida presidencial de 2018. Mesmo tendo sido recentemente governador do maior estado do Brasil, o tucano sofreu um verdadeiro massacre em seu reduto eleitoral, o qual foi apenas o quarto colocado, com menos de 10% dos votos válidos, o que contribuiu para que o partido tivesse seu pior desempenho na história, uma vez que em todo o território nacional não ultrapassou os 5%.

Para se ter uma ideia de quanto o partido encolheu, em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso foi eleito em primeiro turno. Nas Eleições seguintes, mesmo não vencendo, sempre houve segundo turno, e, no pleito passado, Aécio Neves ficou bem perto de derrotar a atual presidenta no momento, Dilma Rousseff, tendo obtido no segundo turno mais de 48% dos votos válidos. Em 1989, Mário Covas também havia sido o quarto colocado, mas com 11,5% dos votos no primeiro turno e em um pleito onde haviam mais candidatos.

Fogo amigo, 'fator Bolsonaro' e fuga de aliados

A campanha de Alckmin nunca se mostrou empolgante e o tucano era mais lembrado nos memes de internet com piadas fazendo referencia à merenda, em alusão ao que ficou conhecido como o “escândalo da merenda”. Fora isso, o surgimento de Jair Bolsonaro fez com que muitos dos votos de seus prováveis eleitores, principalmente os mais conservadores, migrassem para o candidato do PSL, que foi o principal alvo dos tucanos durante a propaganda no rádio e na TV.

Enquanto Bolsonaro se tornava cada vez mais popular, Alckmin patinava nas pesquisas, nunca ultrapassando a quarta colocação, o que incomodou aliados e provocou até mesmo um fogo amigo dentro do partido.

Muitos já chamavam a atenção para a postura do candidato a governador João Dória, que na campanha pouco apoio dava a Geraldo, quando sinalizava simpatizar mais com Bolsonaro do que com o próprio companheiro de partido, e isso ficou explícito na noite de domingo, quando o ex-prefeito de São Paulo foi às redes sociais manifestar apoio ao militar no segundo turno antes mesmo de um posicionamento oficial do partido, algo que deve ocorrer apenas nesta terça-feira (9).

Outro duro golpe se deu faltando uma semana para a eleição, quando Xico Graziano, um dos fundadores do partido, deixou o PSDB e declarou apoio ao candidato do PSL.

Vexame

O colunista político Josias de Souza afirmou que Geraldo Alckmin incorporou o que há de pior na política. Para ele, o tucano fez uma campanha tradicional, se aliando a vários partidos para ganhar mais tempo de televisão e isso não surtiu efeito. O colunista disse ainda que “qualquer resultado do tucano abaixo de 10% pode ser considerado o vexame dos vexames”, comentou, então, às vésperas do pleito.

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