Votos de cabresto: provavelmente muitos que estudaram História do Brasil ou já ouviram falar do assunto pensaram que este tipo de prática estaria quase extinto. Exatamente, quase foi eliminado.

Esse modo de votar para as Eleições era muito comum na República Velha do Brasil, ou seja, nos primórdios dos mandatos estabelecidos para quatro anos de governo. Adentrou o século XX e parece insistir no século atual.

Concretizado principalmente no interior do país, era de se presumir que o voto de cabresto não aparecesse em regiões, digamos, mais desenvolvidas.

Não é o que está acontecendo nas eleições de 2018: o Ministério Público do Trabalho (MPT) já recebeu cerca de 155 denúncias de coação ou manipulação na hora de votar. Funcionários de empresas resolveram “botar a boca no trombone”, denunciando que patrões e diretores de corporações andam “sugerindo” o voto direcionado, significando que seria melhor votar naquele candidato de preferência das empresas ou da opinião (bem) pessoal do alto escalão.

Só na semana que passou, o MPT recebeu 35 queixas desse tipo de prática, o que pela legislação brasileira é considerado proibido. O conteúdo das denúncias chega a macular o nome de 55 empresas.

Surpresa

A região sul, uma das mais desenvolvidas do país, é a que concentra o maior número de reclamações. Nada menos que 77% das denúncias vêm dos três estados sulistas, assim divididos em números absolutos: 64 queixas vêm de Santa Catarina, 24 foram registradas no Paraná e 32 é o total que o Rio Grande do Sul apresenta.

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Eleições

Porém, não pense que em outros estados o assédio eleitoral e a tentativa de implantar o voto de cabresto tenham desaparecido por completo. É que neles a quantidade não passou de dez até a presente data. Estados como São Paulo, Pernambuco, Sergipe, Rio de Janeiro, Paraíba e o Distrito Federal também figuram nesta triste lista.

Não se revelou para qual candidato, mas os patrões e empresários estariam “pedindo gentilmente” o voto de seus funcionários.

Se a investigação comprovar que a pressão e o sugestionamento de votos, privilegiando um em detrimento de outro, ou condicionando a garantia do emprego ao voto de preferência do patrão, a empresa responderá uma ação civil pública.

Um dos mais afamados casos de coação eleitoral em 2018 pertence a um dono de uma rede de lojas de departamentos, cuja sede principal se localiza em Santa Catarina.

Visita e manifestação

Depois do episódio da gravação do vídeo, o referido empresário foi obrigado pela Justiça do Trabalho a fazer uma nova postagem em vídeo, relatando que o voto é livre e depende de cada um exercer a livre manifestação ou escolha por um candidato ou outro.

No entanto, ele aparece em nova postagem ao lado de um dos candidatos que disputará o segundo turno. Nessa aparição, ele não crê no atual sistema eleitoral brasileiro. De acordo com a fonte consultada, a proibição da Justiça do Trabalho permanece válida. Num de seus comentários, faz um questionamento sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, acrescentando que este é mais um dos vários problemas a se enfrentar.

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