O comandante máximo do Exército brasileiro e uma das principais autoridades das Forças Armadas do país, general Eduardo Villas Bôas, concedeu uma entrevista ao jornal "Folha de São Paulo" e pôde fazer uma análise minuciosa em relação ao papel a ser desempenhado pelos militares e supostos "riscos" no futuro governo do presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro. Um dos principais expoentes da Força foi entrevistado diretamente do Quartel-General do Exército.

Ao se expressar sobre a eleição de Jair Bolsonaro para o comando do Palácio do Planalto, o general Villas Bôas afirmou que torna-se algo inevitável uma espécie de associação entre o futuro governo e o Exército brasileiro, em se tratando da possibilidade das "ideias serem personalizadas" nos quartéis, o que poderia culminar em um tipo de eufemismo para que haja a quebra de hierarquia, embora o comandante máximo da Força acredite que o risco seria, todavia, muito baixo.

Alerta e preocupação com o próximo governo do país

O general Eduardo Villas Bôas, que completou 67 anos de idade, na última quarta-feira (07), reiterou que o Exército estaria preocupado com o risco de que ocorra uma "politização dos quartéis", a partir do início do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Com a ascensão do capitão reformado ao poder, o general Villas Bôas pretende implementar ações que se estabeleçam uma linha divisória entre a instituição e o governo.

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Jair Bolsonaro

Ao citar o presidente eleito, Villas Bôas afirmou, durante a realização da entrevista à imprensa paulista, que "a imagem de Bolsonaro como militar, seria algo que vem de fora, já que ele seria muito mais político". O chefe militar concluiu que no Exército "estariam tratando com extremo cuidado a interpretação de que a eleição de Bolsonaro possa representar uma volta dos militares ao poder".

Entretanto, o general descartou totalmente que venham a ocorrer riscos à democracia, devido ao voluntarismo do presidente eleito da República.

Villas Bôas rememorou um período considerado "turbulento" para o país, em meados de 2015, já com o Exército sob seu comando, em que afirmou ter agido no "limite". O militar se referiu às publicações em sua página oficial do Twitter nas redes sociais, em que o mesmo teria postado mensagens, justamente às vésperas do julgamento de um habeas corpus impetrado pelos advogados do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 03 de abril deste ano.

O general recorda que naquele episódio, sua manifestação nas redes sociais de "preocupação com a impunidade" acabou sendo vista como um ameça velada à mais alta instância do Poder Judiciário do país, o que o militar nega completamente. Atualmente, o comandante do Exército acredita que o saldo referente àquele episódio tenha sido muito positivo.

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