O general Eduardo Villas Bôas, comandante geral do Exército, declarou, em uma entrevista ao portal da Folha de São Paulo, publicada neste domingo (11), que o Exército viveu uma passagem delicada quando o Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu no dia 3 de abril para julgar um pedido de habeas corpus (HC) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o comandante, nesse momento, era preciso prevenir do que remediar, e qualquer ação seria uma forma de se evitar a impunidade.

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As declarações do general incomodaram ministros do Supremo. Para eles, houve uma insinuação de que o Exército iria agilizar uma intervenção militar, caso Lula fosse solto.

Nos bastidores da Corte, ministros trocaram mensagens entre si e lembraram das palavras do decano Celso de Mello, que no julgamento de Lula, repeliu o pronunciamento do general, à época. O decano havia dito no tribunal que não concordava com pronunciamentos que demonstram buscar práticas estranhas contra a ortodoxia constitucional.

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Ele não citou o nome de Villas Bôas.

O general Antonio Hamilton Mourão afirmou que caso o habeas corpus de Lula fosse aceito seria uma atitude unilateral do Supremo. Mesmo havendo revoltas por todos os lados, a decisão do STF deveria ser respeitada.

Trama política

Na visão do Partido dos Trabalhadores (PT), existe uma trama política por trás dos bastidores e acredita que Villas Bôas foi um dos responsáveis em impedir que o STF concedesse o HC a Lula.

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Lula Governo

Ao citar em entrevista a Folha que o Exército estava no 'limite", já que a liberdade do ex-presidente poderia ocasionar momentos conturbados no país, alguma coisa teria quer feito e isso não foi bem aceito pelo PT.

Para os petistas, o recado do general acabou "forçando" a Corte Suprema a votar contra Lula. O PT chegou a lançar uma nota de repúdio dizendo que houve uma operação política para impedir que Lula fosse eleito presidente da República.

Para a cúpula do partido, houve um tipo de ameaça implícita à democracia.

Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Volta dos militares

Ainda em sua entrevista, o general Villas Bôas deixou claro que a eleição do presidente Jair Bolsonaro não significa que os militares irão estar no poder. Para ele, o capitão reformado do Exército é mais político do que militar.

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Uma das preocupações do chefe do Exército é evitar que haja clima político dentro dos quartéis, já que as Forças Armadas são uma instituição independente.

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