Em uma eleição marcada pelo forte crescimento da direita no país, a esquerda acabou, consequentemente, perdendo representação na esfera política. Nesse contraste, é possível citar cinco dos principais partidos que perderam representatividade no âmbito político, sendo eles: PT (Partido dos Trabalhadores), PCdoB (Partido Comunista do Brasil), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PDT (Partido Democrático Trabalhista) e PSB (Partido Socialista Brasileiro).

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Levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que esses partidos elegeram no pleito deste ano 25% menos representantes do que em 2010, ano em que essas siglas usufruíram de seu ápice nas urnas.

Segundo o estudo, a esquerda Política conseguiu levar 393 nomes para governos estaduais, Assembleias Legislativas, Câmara e Senado. Em 2010, último ano do Governo Lula, esse número bateu 527.

O PT e demais siglas

Principal e mais forte partido quando se pensa na esquerda política do país, o PT foi a sigla que mais sofreu redução no pleito deste ano.

Foram eleitos 149 nomes para os poderes do Executivo e Legislativo, 41% a menos na comparação com 2010. No último ano do governo Lula, 255 nomes ocupavam os cargos.

O PSB caiu de 118 para 101 nomes. O PDT foi de 107 a 84. Já o PCdoB foi de 34 para 31. Dentre os partidos assumidamente de esquerda, só o PSOL cresceu, indo de 10 (em 2010), para 28 no pleito deste ano.

'Onda conservadora'

Considerando a grande perda do espectro político da esquerda, a cientista política formada na PUC de São Paulo, Vera Chaia, atribui o fato não só ao resultado das urnas como também ao crescimento da oposição ao PT e ao surgimento daquilo que denominou como "onda conservadora", que começou junto a movimentos nas ruas em 2013, embora já existisse antes.

"A pauta dessa nova direita, conservadora nos costumes, faz com que o eleitorado se identifique com ela", afirmou Chaia.

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Tom

Na avaliação do analista político, Antônio Augusto de Queiroz, a esquerda deve chamar atenção do povo para a agenda do novo governo, tentando dizer que a mesma atende o interesse dos mais ricos ao invés dos interesses da população.

Ainda segundo ele, uma derrota no Congresso deve ficar com o Planalto, o que pode, neste aspecto, beneficiar a esquerda, já que ela não poderia ter responsabilidade em eventual fracasso do atual governo por conta do mesmo deter a maioria.

De acordo com Antônio Augusto, a esquerda deve tentar compor com o centro no Senado, seja para derrotar o governo, ou 'amenizar' as propostas.

Cidades

Nos municípios, a esquerda também caiu em número de eleitos, segundo informações dispostas sob dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que mostram uma queda no número de eleitos nas Câmaras municipais e prefeituras.

Em 2012, 14,8 mil candidatos foram eleitos, já no ano do impeachment de Dilma, em 2016, foram 12,3 mil.

Dada as baixas da esquerda no país, Paulo Pimenta, do Rio Grande do Sul, líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos deputados, afirmou que o país vive um processo de desconstrução da política devido ao fato dos partidos tradicionais terem sido os mais atingidos.

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Na visão do deputado, a Operação Lava Jato e parte do Judiciário foram os 'causadores'. Para ele, o momento "criminalizou" a política.

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