O portal "Folha de S.Paulo" entrevistou o ex-advogado de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo. Agora, com a carreira política encerrada, o ex-ministro da Justiça avaliou o juiz federal Sergio Moro, que a partir do dia 19 de novembro passará a integrar a fase de transição para o superministério da Justiça no Governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Sobre Sergio Moro, o ex-advogado da petista disse que não há possibilidade de assumir um cargo em ministério que seja absolutamente técnico.

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Moro enfatizou que sua atuação não se voltará para o lado político, mas técnico devido as consequências de seu cargo. Por outro lado, Cardozo avalia que isso não é possível ocorrer.

Além do mais, Cardozo diz que Sérgio Moro deveria ter imposto uma quarentena por questões éticas antes de assumir o cargo. O ex-advogado enfatizou que o fato de Moro aceitar o convite foi algo que lhe trouxe surpresas, pois não acreditava que o juiz tomaria essa decisão.

Choque de opiniões

O portal da "Folha" questionou Cardozo se será possível ocorrer possíveis divergências entre Moro e Jair Bolsonaro. O ex-ministro foi enfático e levantou alguns pontos que teme haver um choque de opiniões.

Cardozo deixou claro que não concorda com atuação judicial de Sergio Moro. No entanto, avaliou que o futuro ministro da Justiça tem visões mais "acirradas das conquistas da civilização humana". Com isso, poderá haver divergência com Bolsonaro em questões que se remetem a enquadrar movimentos sociais como atos de terrorismo.

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Cardozo também cita que não acredita que Sergio Moro irá defender que um policial mate livremente e não seja punido. O ex-advogado da petista disse que há muitas coisas ditas por Bolsonaro que ele acredita serem barbaridades. Porém, acha que Sérgio Moro tomará posicionamentos, muitas vezes, contrários ao presidente eleito. "Ou o presidente se submeta ao ministro da Justiça ou o ministro da Justiça se submeta ao presidente", diz Cardozo.

Moro exonerado

O juiz federal pediu exoneração do cargo para o presidente do Tribunal Regional Federal da 4° Região.

Sergio Moro, a partir do próximo dia 19, deixará a magistratura na qual atuou durante 22 anos. O futuro ministro participará da transição do governo e assumirá o superministério a convite do presidente eleito Bolsonaro.

Moro ganhou grande notoriedade ao colocar na cadeia grandes empresários e políticos, incluindo o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

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