Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e o candidato derrotado pelo PT na eleição presidencial, concedeu uma entrevista à Folha de S.Paulo e falou sobre as dificuldades que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está passando na prisão. Lula está na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro na ação penal do triplex de Guarujá. Haddad falou que o ex-presidente passa por um "momento mais difícil" na prisão após o término das Eleições.

De acordo com Haddad, o líder do PT vive dias árduos e talvez o mais difíceis de sua vida. Entretanto, disse que o seu companheiro é forte e tem grande capacidade de regeneração. O ex-prefeito de São Paulo lembrou da vitória de Lula contra o câncer, a tristeza de perder a esposa e a perda da liberdade ao ser preso.

Haddad é um dos advogados do condenado e tem livre acesso a sua cela. Nas campanhas eleitorais desse ano, na busca de conseguir os votos que eram de Lula, o petista chegava a ir semanalmente em Curitiba buscar conselhos de Lula.

Entretanto, no segundo turno, o candidato derrotado pelo PT decidiu não se aproximar do ex-presidente para evitar que a sua rejeição afetasse a campanha dele. Haddad chegou a tirar as fotos em que ele aparecia junto com Lula de alguns panfletos.

Em outubro, após sofrer derrota para Jair Bolsonaro (PSL), Haddad retornou à Curitiba e visitou o líder do partido.

Liberdade de Lula

Questionado sobre as esperanças de Lula ser solto, Haddad disse que não saberia responder a essa pergunta e ressaltou que a liberdade de Lula se confunde com a defesa do estado democrático de direito.

A situação de condenado é considerada delicada. Na sexta-feira (23), o ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou um pedido da defesa do ex-presidente para absolvê-lo. Contudo, cabe recurso.

Escola sem Partido

Fernando Haddad criticou o projeto defendido por Bolsonaro, o "Escola sem Partido". Esse projeto visa proibir ideologias dentro das instituições. Para ele, o Escola sem Partido é um projeto autoritário que surge dentro da democracia.

O ex-prefeito de São Paulo também criticou Bolsonaro quando esse disse, em público, que os estudantes devem filmar seus professores e fazer denúncias. Conforme Haddad, isso não é democracia e, sim, ditadura.

Para o candidato derrotado, um dos pontos que fez com que ele perdesse as eleições foi o baixo percentual de votos evangélicos.

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