Um dos mais respeitados cientistas políticos da Itália, Alberto Vanucci, se manifestou a respeito da escolha e consequente aceitação por parte do juiz federal Sérgio Moro, para que possa comandar a pasta do Ministério da Justiça e da Segurança Pública no Governo do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro.

Entretanto, para que venha a integrar a equipe de ministros do futuro governo, o juiz Sérgio Moro deverá deixar a magistratura, inclusive, a condução da maior operação anticorrupção na história contemporânea do país, a Operação Lava Jato, sediada em primeira instância, na décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

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Pesquisador italiano faz comparação com a Operação Mãos Limpas

De acordo com a opinião expressada pelo cientista político Alberto Vanucci, o fato de Sérgio Moro assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública deve ser considerada uma decisão muito "perigosa", assim também para o presidente eleito Jair Bolsonaro. Segundo o pesquisador italiano, essa escolha proporcionaria dois fortes argumentos contra a Operação Lava Jato, o que levaria a uma possível "desconfiança" por parte da população e ainda, teria o efeito de acirrar ainda mais a polarização presente no país.

Vale ressaltar que Alberto Vanucci é professor da conceituada Universidade de Pisa e é um respeitado especialista em uma das mais celebres operações anticorrupção já implementada na Itália, a "Mani Pulite", ou seja, "Mãos Limpas", que chegou a inspirar o juiz Sérgio Moro e a própria Operação Lava Jato no Brasil. A operação anticorrupção implementada no Brasil foi responsável por investigar mega escândalos de corrupção que acarretaram a "sangria" dos cofres públicos da maior estatal brasileira; a Petrobrás e culminou na prisão de políticos como o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

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O ex-mandatário petista cumpre pena relacionada à aquisição de um apartamento de luxo tríplex, localizado em uma das áreas nobres da cidade de Guarujá, no litoral sul do estado de São Paulo. Os recursos ilícitos seriam provenientes de empreiteiras envolvidas no "petrolão", o que resultou numa pena estimada de mais de doze anos de prisão para Lula em regime fechado, de acordo com sentença do juiz Sérgio Moro, ratificada no pelo colegiado de desembargadores do Tribunal Regional da Quarta Região (TRF4), que é o tribunal de segunda instância, em Porto alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Vanucci faz uma comparação com a situação atual no Brasil, ao afirmar que Antonio Di Pietro, o grande nome da Operação "Mãos Limpas" na Itália, aceitou cargo de ministro de Obras Públicas, no governo centro-esquerda de Romano Prodi. Porém, o mesmo deixou o cargo mais tarde por alegações de corrupção, o que não acabou se comprovando.

De acordo com o pesquisar Vanucci, o juiz Sérgio Moro deveria ter recusado o convite para assumir o Ministério da Justiça, porque, segundo o cientista, "como magistrado, Moro não poderia expressar opiniões políticas, tendo que ser o mais discreto possível, tão somente exercendo o seu papel de juiz, ao evitar as considerações de caráter político".

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