Em entrevista à BBC News Brasil, o professor de ciências políticas da universidade de Oxford, Timothy J. Power, falou sobre a ascensão de Jair Bolsonaro ao poder. Em 2016, o professor já vinha enxergando Bolsonaro como uma força política, sendo alavancado por um pensamento conservador.

Segundo o professor, as mudanças sociais que vêm acontecendo no país nos últimos 30 anos causaram uma alteração na forma de agir da direita no país. De acordo com o professor, essa direita que antes não expressava abertamente seus pensamentos, passou a se opor ao que vem acontecendo no país.

Essa direita, não tendo voz para se expressar, viu em Bolsonaro seus pensamentos sendo articulados politicamente.

Timothy fala sobre a culpa do PT

Em 2016, Timothy já vinha falando sobre as chances de Bolsonaro ser vitorioso em uma provável corrida presidencial. Para o professor, essa visão era alimentada com a alta sobre o pensamento de direita no país, além da revolta popular diante da política tradicional e seus constantes casos de corrupção. Para o professor, o PT teria que se reformular completamente, caso queira ter novamente a confiança da população conquistada.

Moro no governo Bolsonaro

Passados poucos dias após as eleições, Sergio Moro aceitou o cargo de ministro da Justiça. O professor vê a entrada do juiz como ministro apenas como uma manobra política de Bolsonaro, para colocar nomes com altas taxas de aceitação popular.

De acordo com ele “poucas personalidades gozam de muita popularidade e é inegável que Moro é um dos nomes mais conhecidos do Judiciário. É natural que seja feita essa sondagem. Então, o que me surpreende não é o convite, é a decisão de Moro de aceitar”, disse Timothy.

Ainda de acordo com a entrevista, o juiz Sergio Moro colocou a legitimidade da operação Lava Jato em risco pois ele é o responsável pela prisão de Lula, tirando do caminho de Bolsonaro um de seus maiores obstáculos.

“Havia um obstáculo grande à eleição de Bolsonaro que era a figura do ex-presidente Lula. Ele foi preso e foi um obstáculo removido por ação direta do juiz Moro. E Bolsonaro venceu. Se Haddad perdeu a eleição por 10 pontos, com Lula teria sido mais competitivo”, disse.

Uma política familiar

De acordo com Timothy, na história da política moderna brasileira nunca houve um candidato menos controlado por marqueteiros que Jair Bolsonaro. Diferente de Lula que terceirizou sua campanha em 2002. Bolsonaro transformou em política familiar.

“Os filhos dele são os únicos assessores dele. É uma política familiar. (...) Ele agia com base na forma como ele percebia o clima da campanha”, analisou.

O tom de do presidente eleito é igual ao de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O que ele fala no comício, retira no dia seguinte. “Em momentos, ele recuava e elogiava as instituições e a Constituição. Em outros momentos, usava um tom mais agressivo quando se dirigia ao público. É o mesmo tom esquizofrênico do Donald Trump. O que ele fala no comício, retira no dia seguinte. Acho que teremos de nos acostumar com esse comportamento daqui para frente”, apontou o professor.







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