Se depender da vontade do Partido dos Trabalhadores, o juiz Sergio Moro não irá assumir o cargo de Ministro da Justiça e da Segurança Pública. A legenda, derrotada nas eleições de outubro por Jair Bolsonaro (PSL), entrou com um pedido junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pedindo para que ele seja impedido de assumir a pasta.

O argumento no PT se baseia no fato do juiz não poder pedir exoneração enquanto responde a apurações disciplinares.

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Na representação que foi protocolada nesta terça, o partido acusa o juiz de interferência no processo eleitoral e ainda cita que uma declaração dada à imprensa pelo vice-presidente eleito, General Mourão, que durante a campanha fez um contato com Moro para que ele assumisse o Ministério.

Além disso, o partido entrou com diversas representações contra Moro por considerar parcial o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma dessas representações é por conta da divulgação de parte da delação premiada feita pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, dias antes da realização do primeiro turno das eleições presidenciais.

Moro rebate acusação

Em resposta, Moro negou que tivesse intenção de interferir no processo eleitoral. Ele falou ainda que o PT busca, ao acionar o Conselho Nacional de Justiça, “cercear decisões da Justiça que contrariam os seus interesses partidários”.

Falando a jornalistas em entrevista coletiva, Moro negou que o convite para integrar o novo governo tenha sido uma espécie de recompensa e afirmou ainda que sua decisão (no julgamento da Operação Lava Jato) se deu em 2017, quando não havia qualquer perspectiva de que o então deputado federal Jair Bolsonaro se tornasse presidente da República.

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“Não posso pautar a minha vida com base num álibi falso de perseguição política”, disse.

Com relação à condenação de Lula, o juiz disse que o ex-presidente foi “preso porque ele cometeu um crime, e não por causa das eleições” e que tal decisão já foi confirmada pela corte de apelação.

Sobre o presidente eleito Jair Bolsonaro, Moro afirmou que não tinha qualquer proximidade com ele, e ainda citou o fato de não o ter reconhecido quando cruzou com ele, pela primeira vez, em um aeroporto.

“Eu não o reconheci na ocasião, mas o cumprimentei rapidamente”.

Com relação ao convite para ser ministro, o juiz federal disse que a sondagem aconteceu cinco dias antes da realização do segundo turno.

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