Em meio à crise financeira que assola o país, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), resolveu incluir na pauta de votação um projeto de lei que prevê reajuste nos salários de ministros do STF e procurador-geral da República. A informação foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

De acordo com a informação, o salário dos ministros e procurador passaria de R$ 33 mil para R$ 39 mil, provocando um aumento em cascata nas contas públicas.

Publicidade
Publicidade

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) classificou a pauta como "míssil Exocet" e que provocará um impacto de R$ 6 bilhões ao ano nos cofres públicos. Ferraço foi o relator do projeto e declarou voto contrário ao aumento, que seria "uma covardia contra o povo brasileiro".

Primeira 'pauta-bomba' para o futuro governo Bolsonaro

Com o futuro incerto, após não conseguir se reeleger ao Senado, o presidente Eunício Oliveira parece não estar preocupado com as contas públicas.

Publicidade

Especialistas apontam que essa seja a primeira "pauta-bomba" para o Governo de Jair Bolsonaro, que começa o processo de transição já nessa quarta-feira (7). O rombo previsto, caso a pauta seja aprovada, é de R$ 6 bilhões ao ano, o que pode comprometer ainda mais a máquina pública, que já trabalha no seu limite de gastos.

O Tesouro Nacional destacou os prejuízos que os bancos públicos podem sofrer com o que eles classificaram como "efeito cascata".

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Governo Michel Temer

Cerca de 16 estados e o Distrito Federal já operam com seu limite extrapolado, além de outros cinco estados já terem ultrapassado mais de 75% da RCL (Receita Corrente Liquida) com suas folhas de pagamento.

O Tesouro Nacional ainda alertou que os governos estaduais podem sofrer forte deterioração com a pauta nos próximos anos.

'Não é o momento', diz Bolsonaro sobre possível reajuste

O futuro presidente participou de um café da manhã ao lado do comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Nivaldo Rossato.

Após a reunião, Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre o que ele achava do possível reajuste.

"Acho que estamos numa fase que todo mundo tem ou ninguém tem. Sabemos que o judiciário é o mais bem aquinhoado entre os poderes, a gente ver com preocupação... Obviamente que não é o momento (de aumentar gastos)", afirmou o presidente eleito.

Bolsonaro ainda irá participar de um encontro com o presidente do STF, Dias Toffoli.

Publicidade

O presidente afirmou que já tinha conversado com Toffoli, destacando que a responsabilidade de resolver os problemas da crise foi dividida entre os três poderes.

Bolsonaro acredita que, em meio a essa união, o Judiciário não vá exercer nenhuma pressão para que essa pauta seja aprovada.

Leia também:

Ministro do STF e juristas veem com indignação aceno de Moro a Bolsonaro

Ministros do STF estariam ofendidos com especulação precoce sobre ida de Moro à Corte

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo