O presidente cubano Miguel Díaz-Canel rechaçou as declarações de Jair Messias Bolsonaro feitas antes de sua eleição como presidente do Brasil. O governante de Cuba se pronunciou nesta quinta-feira (20), durante uma cerimônia de comemoração ao retorno dos médicos que estavam no Brasil graças ao programa Mais médicos, que entrou em vigor durante o governo Dilma Rousseff.

As declarações de Bolsonaro

No passado, Bolsonaro se pronunciou sobre o programa Mais Médicos.

Publicidade
Publicidade

De acordo com o candidato do PSL, alguns dos médicos cubanos poderiam ser inclusive guerrilheiros disfarçados. Segundo Díaz-Canel, ele não via outra opção senão demandar a retirada dos profissionais cubanos do pais após a atitude do ex-capitão da reserva, considerada um insulto aos profissionais que atuam por meio de um convênio com a OPS (Organização Pan-Americana de Saúde).

Segundo o presidente cubano, Bolsonaro teria agido com soberba ao questionar o conhecimento dos profissionais de saúde.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel. (Foto: Imprensa Presidencial da Rússia)
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel. (Foto: Imprensa Presidencial da Rússia)

Por enquanto 7.635 médicos retornaram ao país de origem, cerca de 90% do número total de médicos que haviam deixado Cuba.

Segundo Díaz-Canel, os médicos cubanos eram importantes justamente por atender esses locais "esquecidos pelos seletivos serviços médicos". Além do Brasil, os médicos cubanos atuavam em outros 67 diferentes países. Sozinhos os profissionais de saúde cubanos são responsáveis por cerca de 11 bilhões de dólares que são investidos nos programas de políticas públicas da ilha.

Publicidade

O desfalque com a saída dos médicos

Cerca de 8,5 mil vagas ficaram em aberto após a saída dos médicos cubanos do Brasil. Mais de dois mil e oitocentos municípios foram afetados pelo desfalque. O Ministério da Saúde abriu concurso para o preenchimento delas, 2.448 vagas ainda não foram preenchidas. A maioria dos pontos de atendimento ficam em locais de extrema carência no país, como cidades afastadas e aldeias indígenas. Alguns deles contavam apenas com um ou dois médicos cubanos para fazer os atendimentos.

Mesmo após o fim da seleção, cerca de 30% dos profissionais que prestaram o concurso não compareceram aos seus respectivos locais de trabalho.

Uma segunda chamada foi feita nesta sexta-feira (21) e as vagas são de exclusividade para médicos com registro no Brasil. Esses postos pertenciam a outros profissionais que prestaram as provas, mas que acabaram desistindo após a aprovação.

O salário dos médicos que aceitarem as vagas será de R$ 11,8 mil e, dependendo do local, o governo disponibilizará um auxílio-moradia.

Publicidade

Leia tudo e assista ao vídeo