Preso na carceragem da Polícia Federal desde abril, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva está impedido de dar entrevistas pessoalmente ou por telefone, porém isso não evitou que ele concedesse uma para a rede de TV britânica BBC, que está produzindo um documentário.

Por meio de cartas, ele respondeu aos questionamentos feitos pelo jornalista brasileiro Kennedy Alencar e dentre outras coisas disse o que o juiz e futuro ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, Sergio Moro, teve uma agenda política e que o impediu de novamente se tornar presidente do Brasil e o acusou ainda de ter tirado proveito disso, referindo-se à nomeação do juiz para o time de ministérios do futuro presidente.

Só venceu porque não concorreu comigo

Nas cartas enviadas à BBC, Lula reafirma que é inocente e credita sua condenação à perseguição polícia. Antes de ter sua candidatura barrada, o ex-presidente, de acordo com pesquisas, mantinha vantagem em torno de 20 pontos sobre Jair Bolsonaro. “Bolsonaro só venceu porque não correu contra mim”, escreveu.

O ex-presidente segue se defendendo, afirmado que só foi condenado “por ser o presidente de maior sucesso da República e o que mais fez pelos pobres”.

Ele diz ainda que Sergio Moro sabia que se agisse dentro da Lei, segundo o ex-presidente, teria que absolvê-lo e ele seria eleito novamente. “Então ele fez política e não justiça e agora se beneficia disso”, em referência à nomeação de Moro para o Ministério da Justiça.

Lula também voltou a afirmar que está preso sem motivo e que alerta seus colegas de que “seus direitos estão sob ameaça”.

A entrevista por carta do ex-presidente Lula faz parte do documentário intitulado O Que Aconteceu Com o Brasil, que será transmitido pela BBC World News a partir de 12 de janeiro do próximo ano.

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Jair Bolsonaro Sergio Moro

Moro responde

Ouvido pela BBC, o juiz Sergio Moro respondeu que Lula está preso por ser o “autor intelectual do escândalo da Petrobras”. Ele negou que tivesse tomado a decisão em benefício próprio, lembrando que "não é uma decisão de um homem só" e que nada tem a ver com sua nomeação para o ministério, argumentando que em 2017, quando a decisão foi cumprida, não conhecia pessoalmente o então deputado federal Jair Bolsonaro.

O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro por conta do caso do triplex. Condenado em segunda instância, Lula foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o que o impediu de concorrer ao pleito presidencial, realizado no último mês de outubro.

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