Aos 77 anos, o ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, foi assassinado a tiros na tarde desta quarta-feira (26), em uma rua movimentada de Vitória, capital do estado. Um ex-assessor, preso minutos depois do crime, é suspeito de efetuar os disparos que tiraram a vida de Camata.

O assassinato aconteceu em frente a um restaurante localizado próximo das ruas Joaquim Lyrio e Chapot Presvot. O Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, foi ao local, mas quando chegou o ex-governador já estava morto.

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Pouco tempo depois do crime, a Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou que o suspeito pelo crime estava detido e prestava depoimento aos homens do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O suspeito de efetuar os disparos é Marcos Vinicius Andrade, 66, que atuou por muito tempo como assessor de Camata.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do estado, Nylton Rodrigues, o motivo do assassinato foi uma judicial movida pelo ex-governador contra o ex-assessor.

Segundo a Polícia, os dois se encontraram na rua e o ex-assessor foi tirar satisfação, no meio da confusão, sacou a arma e atirou em Camata.

O policial rodoviário federal Edmar Camata, sobrinho do ex-governador, foi ao local do crime confirmou que a vítima é mesmo seu tio. Camata morava na Ilha do Frade, bairro nobre de Vitória, mas ia sempre à Praia do Canto, em outro ponto da capital capixaba. Segundo Edmar, o tio estava sozinho na gora do crime.

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A notícia se espalhou rapidamente pelo estado. O governador eleito, Renato Casagrande, emitiu nota lamentando o crime. No texto, ele se diz consternado com o assassinato do ex-governador e afirma que Camata contribuiu bastante para o desenvolvimento do estado e "tenha perdido a vida de forma tão trágica". Casagrande chama Camata de "líder carismático e agregador".

Perfil de Camata

Gerson Camata teve longa vida na política. Foi eleito vereador pela cidade de Vitória em 1967, durante o período do regime militar.

Sete anos antes, havia se formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ainda na década de 1960, ele atuou como jornalista policial. O seu programa, "Ronda Policial", da Rádio Espírito Santo, era líder de audiência.

Em 1970, elegeu-se deputado estadual. Em 1974, chegou ao cargo de deputado federal. Foi reeleito quatro anos depois. Todos as quatro vitórias políticas foram conquistadas concorrendo pelo Arena, partido ligado ao governo militar.

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Em 1979, filiou-se ao PMDB, após o fim do bipartidarismo. O PMDB era oposição ao governo militar. Em 1982, foi eleito governador pelo estado e cumpriu o mandato até 1986, quando deixou o cargo para concorrer ao Senado. Foi senador entre 1987 e 2011.

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