O Ministério Público Federal (MPF) apresentou na noite desta última terça-feira, 11 de dezembro, as alegações finais sobre o processo do sítio de Atibaia, envolvendo o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. O MPF pediu a condenação de Lula pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A ação da Justiça julga reformas no sítio que era frequentado pelo petista e sua família.

A denúncia apontou que as obras da reforma foram pagas pelo empresário José Carlos Bumlai. Os recursos destinados à obra teriam sido desviados de contratos da Petrobras.

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Segundo parecer dos procuradores, Lula "capitaneou o esquema criminoso". Ainda é dito que o ex-presidente agiu de foma consciente e voluntário e dissimulou a origem dos valores investidos nas reformas do sítio, localizado no interior de São Paulo.

Laudo da Polícia Federal apontou que foram gastos cerca de R$ 1,26 milhão. No entanto, Lula nega todas as acusações e aponta que está sendo perseguido politicamente pelas investigações da Operação Lava Jato. O petista está preso desde o dia 7 de abril devido processo envolvendo um tríplex em Guarujá.

Procuradoria

A procuradoria foca que Lula e a falecida ex-primeira dama, Marisa Letícia, posicionavam-se como os verdadeiros donos do sítio. O MP afirmou que "não é crível" as afirmações de Lula sobre não ter conhecimento das reformas. Lula atribuiu a Marisa Letícia as reformas do sítio, no entanto, Marisa morreu em fevereiro do ano passado devido um AVC. Lula diz que é "analfabeto" em relação a reformas.

O Ministério Público acredita que Marisa Letícia atuou em nome dela e de Lula, tendo total domínio em relação a reforma e questiona o "incrível silêncio" entre o casal.

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Os documentos que envolvem o processo são notas fiscais, depoimentos de testemunhas e comprovantes de reuniões envolvendo Bumlai, Lula, e executivos da empreiteira Odebrecht. Outro ponto levantado pelos procuradores é de que havia um "jogo de empurra" entre Lula e Bumlai, com o objetivo de "esconder o jogo", criando uma verdade fictícia em relação ao sítio.

A defesa diz que não há nenhuma prova que condene Lula na ação penal. Pois, segundo o advogado Cristiano Zanin, não teria vinculação de contratos da Petrobras com o sítio em Atibaia.

Zanin também enfatizou que a base construtiva do processo pelo MPF se baseou em "narrativas de delatores que receberam generosos benefícios em acordos de delação".