O Governo de Jair Bolsonaro havia defendido o fim dos gastos com cartões corporativos na transição de poder. No entanto, esse objetivo acabou sendo desfeito nos dois primeiros meses do governo. Ocorreu um aumento de 16% desses gastos, comparados com a média dos últimos quatro anos, já acoplada a inflação do período. A fatura de gastos da Presidência da República com cartões corporativos alcançou R$ 1,1 milhão. Todas as despesas estão relacionadas com a Secretaria de Administração da Presidência da República, inclusive algumas que estão diretamente ligadas a Jair Bolsonaro.

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As informações foram divulgadas após questionamentos do jornal O Estado de S.Paulo à Controladoria-Geral da União (CGU). No entanto, há muitos dados ainda mantidos em sigilo, como, por exemplo, informações de quando as despesas foram feitas. O governo defende que essa falta de informação existente é para uma maior segurança do presidente da República.

O ministro da Casa-Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu na transição de governo o fim desses cartões corporativos.

São aproximadamente 1.846 servidores que se beneficiam com os cartões e já gastaram um total de R$ 5,3 milhões somente neste ano. Contudo, sem contar fevereiro, houve uma diminuição de 28% dos gastos se considerar todos os órgãos do governo.

A Secretaria de Administração é a responsável por todas as despesas utilizadas nesses cartões. Isso inclui gastos do presidente, dos seus familiares e pagamentos corriqueiros.

Sigilo nas informações

De todos os gastos realizados pelo governo Bolsonaro, apenas 1,4% está detalhado.

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Questionada, a Secretaria de Comunicação não se manifestou sobre as razões do aumento dos gastos e se haverá alguma mudança no tipo de política que envolve o sigilo dos pagamentos.

O Senado Federal possui um projeto que "força" a divulgação completa dos gastos. O autor deste projeto é o atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). Entretanto, no próprio projeto de Caiado possui uma cláusula informando que caso seja relacionado à segurança do presidente, alguns dados podem se manter em sigilo e sendo divulgado após o término do mandato.

O secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, afirmou que há certa "paranoia" em relação ao governo que não divulga dados do presidente em decorrência da segurança dele. Para o secretário-geral, quanto maior for a divulgação mais chances terá o governo de provar a legalidade do gasto público.

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