Figura tradicional da política brasileira, Aécio Neves, deputado federal por Minas Gerais virou alvo de novo imbróglio. Além de ser investigado na esfera criminal por Corrupção e por tentar o impedimento das investigações da Operação Lava Jato, Aécio tem dividido opiniões dentro do seu próprio partido ao qual se filiou há tempos, o PSDB.

Joesley Batista, dono do frigorífico JBF, afirmou em interrogatório que pagou R$ 2 milhões de propina ao mineiro.

De olho na campanha eleitoral do ano que vem para prefeito e vereadores, os tucanos cogitam em desfiliar Aécio. Para alguns, a opinião de mantê-lo no quadro partidário é um grande arranhão na imagem do PSDB.

Jogo de roleta russa

Entretanto, a saída ou não de Aécio Neves tem causado alvoroço interno. O governador de São Paulo, João Dória Júnior, disse que seria melhor que Aécio saísse por sua vontade própria.

Sem mais delongas ou brigas.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, próximo do governador Dória, foi bem mais incisivo e ameaçou que, se o tucano mineiro não sair espontaneamente, então o próprio Bruno Covas deve buscar outro partido para se filiar. Uma indicação de mútua exclusão.

Em nova declaração, João Dória cobrou a responsabilidade da executiva nacional do partido em iniciar a expulsão de Aécio.

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Polícia Corrupção

Ele estima que Bruno Araújo, chefe da executiva, deve comunicar em breve uma posição sobre a “saia justa” que acomete o ambiente interno do partido.

Duas novas personagens entraram para esquentar ainda mais o clima: a primeira delas foi o diretório regional do PSDB em Minas Gerais que tomou as dores de Aécio e lembrou que Bruno Covas também pode ser expulso do reino tucano. Existe um fundamento: o neto do ex-governador Mário Covas sofre um processo por improbidade administrativa, onde ocorreram algumas falhas no edital para o Carnaval da cidade de São Paulo nos anos de 2018 e 2019.

Posteriormente, Bruno Covas adotou o mesmo discurso de Dória sobre a eventual expulsão do deputado mineiro. Jogou a “batata quente” na mão da executiva nacional.

A segunda personagem vem de nada mais, nada menos que Fernando Henrique Cardoso; ele se manifestou pelo seu Twitter, lembrando que o PSDB tem um estatuto e um código de ética a serem respeitados e continuou dizendo que “jogar filiados às feras, sem aguardar decisão judicial é um oportunismo sem grandeza”.

Pressão

Dentro do partido, há uma pressão enorme que provém de dois diretórios muito importantes pela saída de Aécio Neves: São Paulo e São Bernardo do Campo que, segundo fontes, já teriam ratificado a expulsão do deputado.

Em novo capítulo desta novela intrigante, o presidente do PSDB de São Paulo, Fernando Alfredo declarou que respeita toda a história e legado político de FHC, mas salientou sua discordância em relação à permanência de Aécio.

Ele compara a trajetória de ambos, FHC e Aécio e disse que são conflitantes entre si. No caso do mineiro, Alfredo chama a atenção para a postura e o histórico problemáticos da vida política trilhada por Aécio, manchando a imagem do PSDB.

Andamento

Aécio Neves foi implicado na Lava Jato em 2017 e virou réu no ano seguinte por determinação do Supremo Tribunal Federal. Depois da troca de cargo, de senador para deputado federal, a denúncia foi acolhida e confirmada pelo Ministério Público de São Paulo.

Procurado para saber de sua situação incerta e obscura, Aécio não quis comentar o assunto. Mesma postura foi adotada por sua assessoria.

O PSDB possui um Conselho de Ética de disciplinamento interno e, conforme citado antes, seu código prevê a expulsão de filiados condenados criminalmente ou que tenham efetuado infidelidade partidária. Mas não prevê sanção ou censura para os que são objeto de investigação.

A culminação da expulsão de Aécio só aconteceria após a passagem de todos os ritos previstos no Conselho de Ética, o que demandaria um certo tempo. Até o presente momento, nem houve a instauração do referido Conselho, bem como não há previsão para instalá-lo. O motivo alegado seria por questões burocráticas dentro do próprio PSDB.

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