O embate entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, prosseguiu, na noite de sexta-feira (24), com a exposição de uma conversa indicando pressão para a troca do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo. O print do diálogo foi exibido no Jornal Nacional, da Rede Globo.

A conversa foi tratada na quarta-feira (22). Bolsonaro compartilhou uma reportagem do site O Antagonista “PF na cola de 10 a 12 bolsonaristas”. Após, o presidente completa: “mais um motivo para a troca”.

Na entrevista coletiva em que anunciou o desligamento do Ministério da Justiça, Sérgio Moro afirmou que sofria pressão de Bolsonaro acerca das investigações da PF.

Ainda sobre a mensagem, Moro disse que o inquérito mencionado na reportagem era conduzido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Repercussão

A política viveu em efervescência nesta sexta-feira. Muitos repercutiram e lamentaram o pedido de demissão de Sérgio Moro. O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, foi um dos mais incisivos ao pedir a renúncia de Jair Bolsonaro. “Pr [presidente] está cavando sua fossa”, escreveu o político. “Que renuncie antes de ser renunciado”, prosseguiu, ao se manifestar no Twitter.

Fernando Henrique Cardoso pediu que o Brasil seja poupado de um longo processo de impeachment, uma vez que o país enfrenta sérios problemas em função do novo coronavírus.

Ele completa a mensagem pedindo. “Que assuma logo o vice [Hamilton Mourão] para voltarmos ao foco: a saúde e o emprego”.

Dilma

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) aproveitou para alfinetar o ex-ministro.

Para ela, se Moro “tivesse 10% de sinceridade”, pediria desculpas ao povo brasileiro das “mentiras” contadas sobre o ex-presidente Lula.

Já o ex-presidente Fernando Collor (PROS-AL), que hoje exerce o mandato de senador, revela que Sérgio Moro fez graves acusações e que deixam o governo em situação vulnerável.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), que vive em clima de guerra com Jair Bolsonaro, se expressou sobre a saída de Sergio Moro. Segundo ele, isso representa um golpe à liberdade e à democracia.

Outro governador que vive em clima hostil com Bolsonaro é Wilson Witzel (PSC-RJ). Ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou que o presidente da República, cometeu crime contra a advocacia administrativa, além do abuso de autoridade.

O senador e ex-candidato à presidência da República, Álvaro Dias (Podemos - PR), que defende a Operação Lava Jato, a maior na história do Brasil no combate à Corrupção, disse ao mesmo jornal que convidará moro a disputar a presidência, em 2022, pelo podemos.

Em sua rede social, ele compartilhou a troca de mensagens entre Bolsonaro e Moro.