O Governo federal criou uma espécie de ação que mira opositores dos grupos antifascistas que trabalham como servidores públicos. A revelação foi feita pelo colunista Rubens Valente, do portal UOL.

Segundo ele, o grupo na mira do governo conta com 579 servidores da área de segurança pública e educação antigoverno. Valente afirma que os profissionais foram incluídos em uma espécie de lista em uma ação sigilosa comandada pelo Ministério da Justiça durante o mês passado. Um dossiê foi criado com alguns dados pessoais dos profissionais, fotos, endereços da web e perfis oficiais em diversas redes sociais.

O UOL teve acesso exclusivo aos documentos que listam e monitoram as ações dos servidores públicos que fazem parte do movimento antifascista no Brasil, relatando que as atividades realizadas para mirar o grupo são realizadas através de uma instituição no país, pouco conhecida. Quem realiza a "operação" é a Secretaria de Operações integradas (Siope), a "inteligência" subordinada ao atual ministro da Justiça, André Mendonça.

A secretaria

A instituição comandada pelo ministro Mendonça conta com uma suposta Equipe de Inteligência que é administrada por um servidor militar e dirigida por um delegado do DF.

De acordo com o decreto presidencial de nº 9.662, o mencionado serviço de inteligência não tem obrigatoriedade de apresentar seus relatórios e documentos sigilosos para acompanhamentos judiciais.

Após ter acesso aos documentos, o UOL procurou o Ministério da Justiça, que afirmou a existência do serviço de inteligência, alegando ainda que a instituição é responsável por realizar ações especiais para o combate a quaisquer atos criminosos que ameacem e botem em risco a ordem pública do país, independentemente de suas origens.

Dossiê

O dossiê, que registra 579 nomes, foi repassado a diversos órgãos públicos distribuídos por todo o país, entre eles a Polícia Rodoviária Federal, sedes da Força Nacional, a Abin, e "centros de inteligência" unidos a Seopi nas regiões Sul, Norte e Nordeste, assim como a PF e o CIE.

Os centros de inteligência citados são usados para a realização de reuniões, debates e trocas de informações entre o Ministério e os policiais recrutados e coordenados por ele.

Desta forma, o documento se espalhou por todo o Brasil, chegando ao acesso de vários chefes de administração pública. O reflexo disso ainda não pode ser avaliado assim como suas consequências, porém um documento como este pode ser facilmente usado para desencadear perseguições políticas dentro de repartições públicas.

Antifascismo

No dia 5 de junho, foi divulgado um manifesto chamado de "Policial antifascismo em defesa da democracia", realizado por 503 servidores das diversas áreas de segurança, entre eles bombeiros, peritos criminais entre outros.

O movimento não partidário denunciou através do manifesto divulgado um projeto que tinha como objetivo neutralizar as manifestações antifascistas. Chegaram inclusive a propor uma aliança popular em prol da causa, solicitando uma reação contra as ameaças militares que apresentavam uma ruptura institucional.

Logo após a divulgação do documento por parte do grupo, a Seopi montou um relatório chamado de Ações de Grupos e Policiais Antifascismo. O manifesto dos policiais antifascismo foi apresentado exatamente no mesmo dia em que o presidente da República Jair Bolsonaro se manifestou sobre os protestos chamando o grupo de marginais e terroristas acusado-os de querer quebrar o Brasil.

Logo após, no dia 31 de maio, o Ministério da Justiça apresentou um documento afirmando que haviam identificado alguns policiais influentes e formadores de opinião que contavam com muitos seguidores nas redes sociais disseminando e promovendo símbolos e ideologia antifascista. Uma planilha foi criada com os dados dos 579 servidores públicos considerados atuantes ativos nas manifestações dividindo em grupos de estado.

Anexados ao documento também constavam cópias de um livro antifascista, de autoria do escritor Mark Bray. Também estavam no relatório um número considerável de notícias envolvendo policiais que fazem parte do movimento e um tipo manual terrorista que ensina variadas formas de produzir amas e bombas de forma caseira. No entanto, este manual anexado não é explicado no documento pela "agência de inteligência", tendo a justificativa de vinculação desconhecida, uma vez que não existem no Brasil nenhum registro de ação terrorista.

Além dos profissionais de segurança, nomes de professores, juízes, influenciadores de opinião e defensores do movimento também foram encontrados no documento.

Policiais Civis que fazem parte do grupo declararam em uma entrevista à coluna de Rubens Valente que diversos profissionais já sofrem retaliação há bastante tempo, e que isso vem acontecendo antes mesmo antes da divulgação do relatório da Seopi.

Para conseguir ludibriar a Lei de Acesso à Informação, os documentos foram carimbados pela suposta "agência de inteligência" com acesso restrito.

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