Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, em 2016 os créditos na conta-corrente do ex policial militar Fabrício Queiroz foram duplicados devido ao repasse feito pelos ex-assessores do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos – RJ). A quebra de sigilo bancário foi uma das ações que investigam o suposto esquema das rachadinhas.

Segundo as investigações, as informações disponíveis indicaram que pelo menos 13 assessores são suspeitos de terem devolvido parte de seus salários para Fabrício Queiroz. O montante encontrado na operação que envolve a conta de Queiroz gira em torno de R$ 303 mil. Esse valor diz respeito a 50% do total recebido pelo ex PM entre os anos de 2016 e 2017.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, Queiroz agia como o operador financeiro do esquema quando Flávio Bolsonaro ainda trabalhava como deputado estadual na Assembleia Legislativa – RJ. Flávio iniciou sua função no órgão em 2003 e ficou no cargo até janeiro de 2019.

O esquema da "rachadinha" diz respeito ao ato de recolhimento de partes dos salários de alguns assessores que foram devolvidos naquela ocasião. O inquérito mostra que Queiroz era o responsável pela transação financeira que entrega esse dinheiro recolhido a Flávio Bolsonaro.

Estopim que gerou a investigação do Coaf sobre Queiroz

O órgão de inteligência financeira (Coaf) identificou movimentações atípicas na conta do ex PM relativas ao ano de 2016.

Diante das suspeitas, o Coaf acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro que logo gerou a investigação do caso.

Naquela ocasião, o MP-RJ identificou as contas e a soma de R$ 140 mil de transferência bancária, mas não se sabia quem era o responsável pelos depósitos. Em 2018, a Promotoria recebeu um relatório do Coaf e do MP-RJ onde demonstra o cruzamento das informações, além do pedido de busca e apreensão.

No levantamento, há ainda o valor R$ 57 mil em depósitos feitos em 2016, porém a origem ainda não foi identificada. As suspeitas dos investigadores são que esse valor possa fazer parte de um outro grupo de ex assessores que participavam do esquema. O que consta também no relatório é a periodicidade de repasses com um período de até uma semana após o pagamento de salários na Assembleia Legislativa - Alerj.

Cerca de R$ 2 milhões foram repassados a Queiroz entre 2007 e 2008

Nas investigações, o MP-RJ identificou que somente os 13 ex assessores chegaram a repassar cerca de R$ 2 milhões a conta de Fabrício Queiroz. Para o MP-RJ, o esquema é ainda maior, pois nesse período os saques do ex PM foi de R$ 900 mil a mais do que foi identificado, ou seja, de R$ 2,9 milhões.

Para identificar a diferença nos valores, o juiz Itabaiana autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de ex-funcionários da Assembleia do Rio, com isso os bancos ajudaram a identificar os que fizeram os depósitos. Houve cruzamento das informações e os dados que coincidiram com as informações foram incluídos no esquema de rachadinha.

Queiroz é encontrado na casa de advogado de Flávio

Queiroz foi procurado e logo foi encontrado na casa de um dos advogados de Flávio e Jair Bolsonaro, em Atibaia –SP. Quando o Ministério Público estava perto de denunciar os outros suspeitos, o Tribunal de Justiça concedeu a Flávio o direito ao foro privilegiado, com isso a investigação passa para a segunda instância sendo realizada pelo Órgão Especial e dispensando o juiz da primeira instância.

Por enquanto os desembargadores ainda não decidiram se irão anular ou não as provas colhidas com a autorização do juiz Flávio Itabaiana. No momento, o Ministério Público do RJ recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o quadro possa ser revertido.

Marinho diz que Queiroz foi obrigado a repassar senhas

O empresário Marinho informou que pegou uma conversa em 2018 em que o delegado informa sobre a Operação Furna da Onça e que a partir desse momento o clã Bolsonaro teve conhecimento. Logo, um amigo do Senador Flávio, Victor Granado pressionou para que Queiroz informasse as senhas das contas bancárias para então acessá-las e informar ao senador que o montante existente era superior ao que a imprensa informava.

Em entrevista à Folha, Marinho afirmou que Flávio foi avisado da operação e atualmente, ambos trocam acusações.

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