Impasses, expectativas, dificuldades e um drama que são dignos de serem narrados em uma película cinematográfica. Parece ficção, mas não é. Estas são algumas das situações pelas quais passa uma das instituições ligadas ao Cinema, de importância vital para o Brasil e para a América Latina.

A Cinemateca Brasileira, localizada na cidade de São Paulo, viu suas portas fecharem no início de agosto de 2020, sem previsão de receber fãs e o público em geral.

O problema não está exatamente ligado a uma crise de produção ou distribuição de filmes e documentários, se bem que isso já foi causa de fazer encolher o ramo do cinema, dentro de um país que ainda sofre com a desvalorização e com a falta de incentivos no audiovisual.

Nos bastidores é que se acendem as luzes em plena sessão, indicando um alerta: a crise afeta a gestão do lugar, aliada à ausência de repasses de dinheiro por parte do Governo federal, o que permitiria, assim, a conservação e a manutenção do lugar.

Corta!

Entidade responsável pela administração da Cinemateca, a Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto) não teve outra alternativa senão demitir os 40 funcionários que cuidavam do acervo e trabalhavam nas áreas de pesquisa, documentação, tecnologia da informação e preservação do material. Em seguida, foi obrigada a entregar as chaves da Cinemateca para representantes do governo.

Integrantes da Acerp fizeram um apelo ao secretário adjunto do Audiovisual para que mantivesse ou reaproveitasse o quadro de funcionários.

No entanto, não houve nenhuma contrapartida, reconhecimento ou sensibilidade por parte do secretário quanto à manutenção dos postos de trabalho.

Só restou à entidade lamentar o triste desfecho, pois ela reiterou o alto nível profissional e técnico dos empregados.

Além disso, a Acerp tentou questionar pela justiça o não envio de R$ 14 milhões, prometidos pelo governo, para abastecer o orçamento da Cinemateca em 2020.

Porém, ela perdeu a causa, o que agravou a situação e retardou o pagamento dos salários.

Câmera lenta

Fundada em 1946 pelo crítico especializado Paulo Emílio Salles Gomes, a Cinemateca Brasileira possui uma memória cinematográfica preciosa, com mais de 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de produções que registram e documentam os aspectos sociais, econômicos e políticos do Brasil no século 20.

O último capítulo a acrescentar à história da Cinemateca foi o fim da vigência do contrato com a Associação Roquette Pinto, em 31 de dezembro de 2019. Fora isso, não houve qualquer marcação ou indício de nova licitação para se escolher o novo gestor. Uma questão burocrática que, até agora, está sem contornos nítidos.

Parte dois

O que tendia para um final regado a lágrimas e tristeza, teve uma inversão no Dia da Consciência Negra: o presidente Jair Bolsonaro autorizou, por meio de decreto, que as atividades da Cinemateca Brasileira serão incorporadas ao Ministério do Turismo. Dentro desse ministério é que se encontra a Secretaria Especial de Cultura.

Com previsão de vigor a partir de 23 de novembro, o dispositivo presidencial estabelece o remanejamento dos cargos em comissão para coordenar o funcionamento da instituição cinematográfica.

A medida valerá até que se finalizem os procedimentos relativos à busca de um novo administrador para o local.

Na prática, seria como remendar partes da trama com tesoura e fita adesiva, ao adicionar mais tempero no suspense, porém sem perspectiva palpável de uma salvação para um náufrago no meio do oceano.

Em entrevista para “A Voz do Brasil”, o secretário especial de Cultura, Mário Frias, salientou a vigência dos contratos emergenciais de manutenção. Ele garante que “todo mundo está trabalhando para resolver esse problema”. De acordo com ele, os contratos vigentes relativos à brigada de incêndio, energia elétrica e controle de pragas sustentam a estrutura mínima de funcionamento.

Mário Frias finalizou que “a Cinemateca está sendo tratada pelo governo federal, pela Secretaria de Cultura, com toda seriedade e com toda a preocupação que ela merece”.

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