A Avenida Conde da Boa Vista foi tomada por uma multidão vermelha na tarde de ontem. O dia 28 de abril deveria ser marcado pela maior greve geral da história desse país, mas o que vimos foi uma manifestação das centrais sindicais. Sob o argumento de protestar contras as reformas do Governo Temer, as centrais mobilizaram sua militância que não fez nenhuma questão de esconder sua segunda agenda: a defesa do ex-presidente Lula.

A movimentação da teve início na praça do Derby, por volta das 14h. Em clima de festa, as centrais reuniram sua militância, bem como os movimentos sociais em um verdadeiro carnaval fora de época.

As maiores centrais sindicais estavam cada qual com o seu carro de som, trios elétricos e alguns carros particulares. Vários deles estavam ligados ao mesmo tempo com som no máximo volume, tudo isso a poucos metros da emergência hospitalar do grupo Hapvida e do Hospital da Restauração. Alguns militantes tentaram fazer ações de panfletagem sem sucesso. Havia poucas pessoas na rua e mesmo na Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais importantes da capital pernambucana, o fluxo de veículos era bem reduzido.

Uma grande festa das centrais sindicais

As 16h os manifestantes iniciaram sua caminhada. Uma maré vermelha tomou conta da Conde da Boa Vista, que em nada se assemelhava com as manifestações de 2013. Se nas manifestações daquele ano o caráter apartidário foi muito marcante, os principais partidos de esquerda ostentavam suas bandeiras, puxando palavras de ordem como "Fora Temer" e "Lula guerreiro do povo brasileiro". Este momento inclusive foi repreendido pelas lideranças, que pareciam incomodadas com a declaração mais explícita de apoio ao ex-presidente.

O palanque foi revezado entre as lideranças sindicais, que não davam explicações nem faziam propostas para resolver o problema. A intenção claramente era protestar contra o Governo Temer e trancar as pautas da reforma, sem nenhum tipo de contraproposta.

Se do alto de seus palanques os sindicalistas faziam seu mise en scène, em terra a militância aproveitava o clima de micareta e marchava regada a muita cerveja e outras substâncias. Muitas selfies e descontração deram o ritmo da caminhada, que transcorreu sem maiores problemas até o início da Boa Vista.

Alguns vândalos depredaram o imóvel onde até março funcionava a Habib's, em sinal de protesto pelo ocorrido na unidade da mesma franquia em Freguesia do Ó, em São Paulo.

Rodoviários fazem a diferença

A adesão de praticamente 100% dos rodoviários garantiu que as ruas do centro estivessem desertas. O que se via era um cenário de abandono, onde poucas lojas de grandes grupos e alguns bares e restaurantes conseguiram abrir. O Shopping Boa Vista, o único do centro da cidade, fechou suas portas mais cedo para evitar a ação dos vândalos e garantir a integridade física de seus funcionários.

Algumas lojas chegaram a fechar acordo com taxistas para transporta-los de volta para suas casas e o uso de aplicativos como o Uber foi bem intenso até o início do ato.

A movimentação nos bairros foi a prova de que a falta de transporte público foi a grande responsável pela aparente adesão ao movimento. Nas periferias, o comércio funcionou normalmente e havia grande volume de pessoas utilizando os serviços disponíveis. O presidente do sindicado dos rodoviários, Benílson Custório foi um dos que usou o palanque para proferir suas palavras de ordem e se vangloriar do sucesso da paralisação da cidade, graças a adesão de sua categoria.

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