O Ministério Público do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro (MPT-RJ) resgatou 11 operários contratados para as obras da Vila dos Atletas, destinada a ser utilizada nas Olimpíadas de 2016, que trabalhavam em condições semelhantes à escravidão. Entre as informações repassadas sob anonimato por um dos funcionários, estão em jornadas de 13h diárias, mais os sábados, salários atrasados e imprecisos, falta de pagamento de horas extras e alojamentos com mais de 20 homens, além de ratos, baratas, colchões rasgados e cheiro de esgoto.

Por temer represálias e sob mediação do MPT-RJ, o operário repassou as informações à agência BBC Brasil sob a condição de não ter seu nome revelado. Segundo J.S., a empresa Brasil Global Serviços (BGS) o contratou para trabalhar na construção da Vila dos Atletas. O local abrigará mais de 17 mil pessoas durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro. O trabalhador também afirma ter sido tratado “pior do que cachorro” durante os quase oito meses em que esteve na cidade.

"Passei a primeira semana dormindo no chão. A casa era uma humilhação, de verdade. A gente foi tratado como bicho mesmo", disse.

Respostas

Em contato com a BBC Brasil, o advogado da BGS, Rômulo de Oliveira Nascimento, negou as informações do MPT-RJ. Ele também afirmou que a Brasil Global Serviços respeita as leis trabalhistas e destacou que “não existe nenhum vínculo, de qualquer natureza, que relacione a Brasil Global com o imóvel onde foram localizados os operários."

A respeito da contratação dos 11 trabalhadores, o advogado não esclareceu quem seria o responsável.

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Vagas

De acordo com as informações, a BGS repassava mão de obra ao Consórcio Ilha Pura, integrado pelas empresas Odebrecht e Carvalho Hosken, que executam a construção da Vila dos Atletas.

O Consórcio também se pronunciou a respeito do assunto e ressaltou que “mantém procedimentos rigorosos em quaisquer de suas relações trabalhistas, assegurando o atendimento às leis vigentes inclusive no que se refere às condições de trabalho de profissionais contratados por prestadoras de serviço que atuam no empreendimento."

O Consórcio também destacou que identifica e fiscaliza os alojamentos oferecidos pelos seus fornecedores de mão de obra.

 

Rescisões e pagamento

A BGS efetuou o pagamento de R$ 70 mil referentes às rescisões de contratos dos 11 operários, ressarciu o valor gasto pelos funcionários para viajarem ao Rio e também custeou o retorno dos trabalhadores às suas cidades.

Responsabilidade

O caso dos operários chama a atenção para a responsabilidade pela construção dos equipamentos destinados aos Jogos Olímpicos. Recentemente, o Brasil assumiu maior compromisso pela segurança durante a realização das Olimpíadas do Rio, diferentemente do que ocorreu durante a Copa do Mundo.

No Rio de Janeiro, os novos mictórios públicos, nomeados de UFAs (Unidades de Fornecimento de Alívio), estão sendo distribuídos por toda a cidade, inclusive, para a promoção do evento esportivo internacional.

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