A #Beija-Flor consagrou-se campeã do carnaval carioca pela 14ª vez em sua história, nesta quarta-feira (14). Com o enredo “Brasil Monstruoso”, a escola de Nilópolis ergueu mais uma taça ao abordar um tema bastante corriqueiro no Brasil: a corrupção.

A escola traçou um paralelo entre o romance “Frankenstein” e as mazelas sociais tão presentes no cotidiano brasileiro, como desigualdade, intolerâncias, e, especialmente, a corrupção.

Diferentemente da Paraíso do Tuiuti, que teve como alvo o governo de Michel Temer e às pessoas que foram, legitimamente, às ruas pedir o impeachment de Dilma Roussef, em 2016 [VIDEO], a Beija-Flor atirou para os lados, mas esqueceu da frase popular: “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”.

Esqueceram Anísio

Patrono da Beija-Flor, Aniz Abraão David [VIDEO], conhecido como #Anísio, é frequentemente lembrado por Neguinho da Beija-Flor, intérprete oficial da escola de samba carioca, antes de entrar na avenida.

Anísio tem uma longa ficha criminal no currículo e, certamente, não partiu dele a ideia do enredo de 2018. Anísio Abraão é um dos barões do jogo do bicho no Rio de Janeiro.

O jogo ilegal é fonte financeira para as escolas de samba de todo o estado, que dependem do dinheiro do bicho para fazerem desfiles luxuosos. Não teria problema algum se o jogo do bicho não fosse ilegal, portanto, um crime.

Por causa do envolvimento com o jogo do bicho, Anísio foi condenado a 48 anos de cadeia pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, contrabando e sonegação fiscal.

Apesar da condenação em primeira instância, Anísio continua solto graças ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A “ajuda” dada pelo STF aconteceu em 2016, quatro anos antes, em 2012, Anísio e sua quadrilha haviam sido desbaratados pela operação Furacão e acabaram condenado em primeira instância.

Eles tinham um esquema de compra de policiais e juízes para liberar máquina caça-níqueis apreendidas pela Receita Federal. Na véspera do julgamento da segunda instância, que levaria os criminosos para a cadeia, o ministro Marco Aurélio Mello suspendeu o processo.

Campeãs

A Beija-Flor foi a grande campeã do carnaval carioca em 2018. Na segunda posição, ficou a Paraíso do Tuiuti. Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade Independente de Padre Miguel completam as primeiras colocações. As tradicionais Grande Rio e a Império Serrano foram rebaixadas para o grupo de acesso.