O alto grau de criminalidade e os índices alarmantes de violência no Rio de Janeiro neste início de ano obrigaram o Governo Federal a agir. Nesta sexta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer assinou um decreto de intervenção militar no estado dos cariocas, no qual as Forças Armadas passam a se responsabilizar pelo comando das polícias Civil e Militar.

A decisão, que ainda passará por avaliação do Congresso Nacional, estará vigente até o dia 31 de dezembro de 2018. Walter Souza Braga Netto, que é comandante do Leste, foi nomeado o interventor federal. Em paralelo, ele assumirá o controle do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Administração Penitenciária.

Em um breve discurso, Temer reforçou que a medida se explica pela preocupação em que a Insegurança no Rio se espalhe para os demais estados brasileiros. Nesta linha, chegou a chamar o crime organizado em terras fluminenses de "metástase" que pode se espalhar pelo país.

"O crime organizado quase se adonou do Rio de Janeiro. Eu encaro-o como uma metástase perigosa que pode se espalhar para outros estados do país. Está ameaçando a tranquilidade do nosso povo, e isso nós não podemos permitir passivamente. Por conta disso estamos decretando, neste momento, a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro", discursou o presidente da República.

Além do poder paralelo e das disputas pelo controle do tráfico de drogas nas favelas, o Rio [VIDEO] de Janeiro sofre com a expansão das chamadas milícias e dos crimes comuns como assaltos, furtos e os populares "arrastões", que foram vistos incontáveis vezes ao longo dos dias de Carnaval [VIDEO].

A situação cada vez mais insustentável gerou uma reunião de emergência entre o governador do estado, Luiz Fernando Pezão (MDB-RJ), com Michel Temer na última quinta-feira. Ambos entenderam que era de fato necessário a intervenção do governo estadual. No que diz respeito ao parlamento, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) nomeará um relator que terá a missão de fazer um parecer sobre a medida a ser votado em plenário.

Na prática

O texto do decreto diz que, na prática, o interventor estará subordinado ao presidente da República e poderá fazer uso, caso haja a necessidade, de todo o aparato de segurança à disposição do Governo Federal, tanto nas áreas financeiras e tecnológicas, como também na parte humana e de contingente. Em linhas gerais, a medida objetiva "por fim ao grave comprometimento da ordem pública do estado".

"Nós, enquanto governo, não podemos mais aceitar passivamente a morte de homens, mulheres, pais de família, crianças, policiais e soldados, e não podemos ver bairros sitiados e dominados por infratores, avenidas travestidas de trincheiras e escolas constantemente sob a mira de armas.

Chega. Daremos um basta disso. Não toleraremos que assassinem nosso presente e ameacem de morte o nosso futuro", falou Temer.

O governador Pezão também esteve presente na solenidade e lembrou que o Rio de Janeiro é rodeado de rodovias federais, de modo que é preciso um controle maior do fluxo para que se evite tráfico de drogas e roubos de carga nessas regiões. Pezão elogiou a postura do Governo Federal, que, segundo ele, "sempre se colocou disponível para ajudar o Rio de Janeiro desde a primeira solicitação".

Ações que não tiveram vínculo direto com segurança pública seguirão sob responsabilidade do governador. Por volta de 20h30 desta sexta-feira, o presidente Michel Temer falará em cadeia de rádio e televisão para todos os brasileiros sobre a drástica medida adotada para conter a crise de segurança no Rio de Janeiro.