O Dia de Finados é bom para descansar e para dar aquela checada nos túmulos dos ancestrais para ver se está tudo intacto ou se não foi vandalizado. E só. Bem, admitamos: nossa cultura não privilegia e nem estabelece uma boa relação com a morte. Claro que se compararmos com os japoneses, os quais fazem uma refeição ao lado da última morada, em reverência aos que já foram, para os brasileiros é mais do que suficiente lembrar um dia e levar flores para homenagear os mortos. Que dizer então da comparação do brasileiro com o mexicano?

Festa para eles?

Apesar da veiculação pelos meios de comunicação de que a SPTrans montaria um esquema especial de atendimento por meio de ônibus e ainda: nos para-brisas aparecerem que determinada linha de ônibus passa por um ou mais cemitérios, a maioria não se sente estimulada para visitar lugares tristes ou sem vida.

Mesmo com a previsão de um bom movimento, cerca de 1 milhão de pessoas eram esperadas para procurarem os cemitérios no feriado, o Dia de Finados pode ser um lembrete para se descobrir algumas Curiosidades e histórias de cunho popular. Nenhuma delas tem conteúdo fantasmagórico, fique tranquilo.

Fazer turismo em cemitérios?

Em vez de passar alguns minutos nas necrópoles de São Paulo, que tal permanecer um pouco mais e estender a visita?

Desviando-se da finalidade única da morte, alguns lugares guardam arte e arquitetura. Reservam boas histórias e pessoas famosas de várias épocas.

No caso de São Paulo, o cemitério mais antigo é o da Consolação (1858): o olhar mais acurado sobre este cemitério é que ele abrange um museu a céu aberto, por conter ótimas referências de arte tumular.

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Curiosidades

Caso você não saiba, existe até uma visita guiada que precisa ser agendada com certa antecedência.

Lá, existe um sem fim de celebridades enterradas como o ator Paulo Goulart, a pintora Tarsila do Amaral, os escritores Mário de Andrade e Monteiro Lobato, o presidente da república Washington Luís e a Marquesa de Santos. Também tem a pegada mais religiosa, voltada para o alcance de pedidos e milagres – um pouco mais à frente abordaremos esta questão.

Não é apenas o cemitério da Consolação que abriga famosos; outro próximo dali é o cemitério do Araçá, berço final de artistas como as atrizes Nair Bello e Cacilda Becker, a poetisa Francisca Júlia. Também é a morada de um dos grandes pioneiros da comunicação e do jornalismo, Assis Chateaubriand. Aliás, é no Araçá que se encontra o mausoléu da Polícia Militar, dedicado àqueles profissionais que morreram em serviço.

Dizem que a vista do mausoléu em direção à cidade é linda.

O cemitério do Araçá surgiu como uma alternativa ao cemitério da Consolação, visto que, na época, havia o problema de superlotação. Isso em 1887. A alternativa foi arranjar outro local. Os dois cemitérios ficam, em média, a dois quilômetros um do outro.

Fé, devoção e pedidos

Indubitavelmente, a fé, a religião e a morte andam de mãos dadas e, como se vive num país, essencialmente católico, embora tendo recebido outras influências como a espírita e a umbanda, a ancestralidade ecoa pelos tempos.

A ligação entre a religião e atendimento a pedidos nem sempre passa por famosos. Ao contrário, vem de falecidos desconhecidos e com modo simples de viver. Não é raro perceber um ar de mistério sobre as circunstâncias reais da morte com as histórias que o povo conta, alimentando as lendas em torno dessas personalidades.

Um dos casos mais emblemáticos da necrópole da Consolação é o de Maria Judith de Barros: pobre de recursos, morreu de tantas surras que levou do marido. Embora a causa da morte não possua comprovação oficial, o fato é que o túmulo de Maria Judith começou a receber grande fluxo de pessoas para a resolução de problemas ligados a relacionamentos amorosos e à aquisição de imóveis.

Porém, em plena era tecnológica, é de se espantar que jovens procurem as bênçãos de Maria Judith para passar no vestibular. É só visitar sua morada de descanso para visualizar mais de 200 placas fixadas como forma de agradecimento. A gratidão vem desde estudantes de engenharia até os de odontologia.

A poucos metros de Maria Judith, outro túmulo muito conhecido é o do menino Antoninho da Rocha Marmo, que não resistiu à gripe espanhola em 1930, tendo somente 12 anos. Sobre o túmulo de granito preto, há centenas de agradecimentos: uma nova carreira, a cura de doenças no círculo familiar e a vitória sobre o tabagismo. Muitas flores são depositadas, principalmente no Dia de Finados e no Dia das Crianças.

É bom lembrar que esta exclusividade não pertence só ao cemitério da Consolação: há outras personagens milagreiras em outros locais de São Paulo como o do menino Guga no cemitério do Araçá e o do morador de rua no cemitério de Santo Amaro.

Fora de São Paulo, a fraternidade dos santos populares aparece em Recife, Brasília, Araraquara, Bauru e na gaúcha São Leopoldo.

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