O Brasil, empenhado junto à FIFA pela vaidade do Sr. Lula, mesmo diante dos protestos populares, resolveu realizar a Copa do Mundo em 2014. Para quem este evento foi realmente útil? A FIFA, com toda certeza, nada tem a lamentar. Só ela.

Se nós ficamos a questionar tanto gasto com arenas, recuperação apressada das vias de acesso e sua urbanização, a humilhante derrota perante a seleção alemã, hoje talvez tenhamos um fato bem mais grave e triste, relacionado à preocupação com a segurança dos turistas: a morte do cabo do exército brasileiro: Michel Augusto Mikami, de 21 anos, um garoto.

O governo do Estado do Rio de Janeiro perdeu o controle das favelas, criou as UPPS, mas não deu conta da empreita. Como tudo e mais um pouco foi feito pela malsinada Copa, para lá foram mandados nossos soldados, não habituados à guerra urbana, contra inimigos sem farda, sem nome e sem qualquer escrúpulo, capazes de matar repórter de emissora de TV, pessoas da comunidade, policiais, e, agora, de afirmar: "Se quiser, mato um soldado por dia!" E nós, quantos outros jovens das nossas Forças Armadas ainda vamos ter que sepultar?

Abaixo da foto, em uma reportagem da Revista Veja, podemos ler com muita amargura: "A tropa acuada - sepultamento do cabo Mikami: os militares estão em desvantagem nos domínios do tráfico no Complexo da Maré." A quem interessa essa situação? Ao povo brasileiro e à família do Cabo Mikami, certamente não. À dignidade e ao respeito que merece o nosso Exército, também não.

Então, é chegado o momento de uma atitude mais efetiva de nossas autoridades, principalmente os ministros militares, responsáveis pela presença dos nossos soldados naquele lugar.

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Opinião

A reportagem da revista Veja questiona: "A lógica mais simples levanta a seguinte questão quando alguém se detém diante da resistência do tráfico no Rio de Janeiro: se os morros não produzem drogas nem têm fábricas de armas pesadas, não seria o caso de, em vez de correr em vão atrás do varejo, impedir no atacado o fornecimento de cocaína e fuzis AK-47 aos bandidos?"

A copa acabou, os turistas foram embora, as tropas ficaram lá, indefinidamente, para garantir exatamente o quê?

O período que antecedeu as eleições? Agora nossos valorosos soldados não podem bater em retirada, sob pena de se dar aos marginais a certeza de que ninguém pode entrar em seus domínios, sem autorização. A favela da Maré vai se tornar um país independente do Brasil.

Esse poder de mando, aliado à certeza da impunidade será o fim do Rio de Janeiro. Se até agora estamos brincando com a segurança pública, que a morte do cabo Mikami seja um marco na luta do Brasil contra o tráfico de drogas.

Só assim poderemos dar a satisfação devida à família desse garoto e dizer que essa amarga herança teve alguma utilidade.

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