Mais um "famoso" dá péssimo exemplo para todos. O cantor Renner, não em sua primeira besteira feita sob o efeito da mistura álcool e direção, foi pego em flagrante depois de arrebentar o seu carro em outro, que estava estacionado. Não conseguiu fugir, pois, seu carro teve os pneus estourados na batida. Beneficiado com as maleáveis e cheias de benesses leis brasileiras, o viciado em bebidas alcoólicas, estava com o direito de pagar fiança e foi liberado. Há alguns anos, em 2001, o mesmo delinquente já havia causado a morte de duas pessoas, quando botou a moto em que um casal viajava para fora da estrada com seu carro que vinha a módicos 180 km por hora.

Os dois que vinham na moto não tiveram chance nem de saber o que aconteceu com eles. O bandido no volante conseguiu se safar da cadeia com as filigranas legais que só os advogados sabem usar e estava, até agora, como se nunca tivesse se envolvido em nenhum acidente, menos ainda com mortes. Adicione-se ao acontecido de agora, que o artista malfeitor estava com sua habilitação vencida há quatro anos. Falta fiscalização? Parece que sim.

Certamente as famílias que sofreram aquelas perdas vão ter um réveillon bastante constrangedor, sabendo que o causador daquelas mortes vai estar, mais uma vez, em alguma festinha se divertindo, livre, e enchendo a cara como costuma fazer. Talvez ele, até, se envolva em outro acidente na virada do ano. Desses, tão comuns em nossas cidades que vivem sob a fraca lei que permite que os assassinos que usam garrafas em vez de armas matem por aí e não sofram qualquer punição.

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Ele não é causa, é consequência

O caso de Renner apenas ganha um pouco de notoriedade por causa de ele ser quem é. Mas, infelizmente, é apenas mais um acidente igual ao que vemos todas as semanas nos noticiários. Ricos, pobres, desconhecidos, Famosos, menores de idade, velhos, civis, militares, autoridades... Todo mundo tem os seus 15 minutos de celebridade por fazer uma besteira depois de beber e pegar o volante de um automóvel, destruir patrimônios, vidas, ou simplesmente por se acharem acima das leis. Depois não se fala mais nisso. A impunidade que impera em nossa sociedade, aliada a demora da Justiça, e a essas leis que são gentis como nossas mães, acaba por educar nossos filhos de forma inadequada, porém, bem realista na nossa sociedade: quando puder dirigir e beber, faça isso. Se for pego, a gente libera. Se acontecer um acidente a gente chama um advogado; ele sabe o que fazer. O que não pode acontecer é deixar um criminoso na prisão só porque ele matou alguém que estava no local errado, na hora errada: na frente do carro de um bêbado.

Como diz aquela canção: 'Depende de nós!'

Para não sujar sua ficha como pessoa pública, o cantor deverá vir a público pedir desculpas, como fez na vez anterior. Isso garantirá mais alguns contratos para shows. Se somos nós, enquanto sociedade, que contratamos e pagamos ingresso para ver e ouvir um bandido no palco, não temos o direito de reclamar de nossas leis. E sabem o porquê? Por que uma lei é o reflexo do povo que a faz. Não podemos, somente, querer que as leis existam e funcionem. Elas só sairão do papel e terão efetivo exercício se nós, cidadãos acharmos que elas valem a pena, de verdade. Cabe a nós aceitar ou não que bandidos vivam entre nós, mesmo que eles cantem afinadinhos.