Apesar de os atuais escândalos da Petrobras estarem emevidência no momento, a cada dia que passa fica muito claro a necessidade de seesclarecer o quanto antes o que vem ocorrendo com o BNDES, criado para fomentarinvestimentos na economia brasileira, mas que ultimamente vem sendo utilizadopara financiar muito mais as obras de desenvolvimento de países “hermanos” doque o próprio Brasil.

Atualmente, a sigla BNDES, Banco Nacional do DesenvolvimentoEconômico e Social, poderia na verdade ser alterado para BBDES, BancoBolivariano de Desenvolvimento de la Economia Sudamericana.

O que vemos atualmente é uma enxurrada de recursos captadosno Brasil, boa parte oriunda do FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador (brasileiro),sendo investidos em obras em diversos outros países, enquanto obras deinfraestrutura de grande relevância para nossa economia e necessidades sociais seguemestagnadas por aqui.

Vejam por exemplo a obra que está sendo executada pela OAS naArgentina, o Aqueduto de Chaco, (isso mesmo, com a falta de água por aqui estãoconstruindo aqueduto na Argentina) uma grande obra de infraestrutura social, decerca de 500 quilômetros de extensão, com custo estimado de U$ 180 milhões dedólares, com o objetivo de levar água potável a uma grande população da regiãochaquenha.

Muito louvável, não que a população de lá não tenha o direito adispor de um elemento básico como este para suas vidas, mas como um país como oBrasil que não consegue finalizar uma obra como a transposição do rio SãoFrancisco, que beneficiaria milhares de brasileiros que passam pelas mesmasnecessidades e , ao mesmo tempo, pode priorizar um investimento fora, enquanto nem arrumamos nossaprópria casa. Não seria o caso de primeiramente pensarmos em resolver a crisehídrica que assola nosso país, muito mais por falta de infraestrutura do quepor falta de chuva, para depois ajudarmos os outros países?

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Opinião

Além deste aqueduto, temos as hidroelétricas de Chaglla noPeru e San Francisco e Manduriacu noEquador, todas sendo executadas pela Construtora Odebrecht, perfazendo um totalaproximado de U$ 650 milhões de dólares, bem como a hidroelétrica de Tumarín,na Nicarágua, com investimentos da ordem de U$ 340 milhões de dólares, obraexecutada pela Construtora Queiroz Galvão e o projeto Bayovar de abastecimentode água Lima, no Peru, pela Andrade Gutierrez, de valor desconhecido.

Fora isso, ainda podemos citar o famoso porto de Mariel emCuba e outras obras como pontes, rodovias e metrôs na Venezuela e Panamá eoutros países.

Os defensores desta política externa de investimentos podem argumentarque são empresas brasileiras que estão recebendo o recurso ao executarem taisobras e desta forma estão gerando receitas para o Brasil, mas o que é maispreocupante é que na maioria dos casos, o BNDES subsidia grande parte destesinvestimentos ao cobrar juros bem abaixo dos valores praticados pelo mercado,ao financiar estas obras e, portanto, arca com grande parte da verba empregada.

Outro fato que não fica claro é o critério para escolha dasempresas que recebem estes vultosos aportes financeiros para executarem obrasque na maioria das vezes ainda acabam sendo superfaturadas e desta formacustando muito mais caro ao nosso país.

É por esta e outras razões que se torna imprescindível queum banco de financiamento público como o BNDES tenha seus números publicadospara que a sociedade brasileira tenha conhecimento de onde e como está sendoinvestido nosso dinheiro.

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