Um estudo recente publicado no periódico holandês Explore, reascendeu uma antiga discussão envolvendo ciência e fé. Esse estudo, coordenado pelo Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com o Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), analisou e atestou a veracidade de um lote de cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier.

Como conclusão do ensaio, as informações comunicadas nas cartas eram precisas e verídicas. A precisão de detalhes particulares e, em vários casos, até desconhecidos pelos familiares que visitaram Chico Xavier para obter as cartas psicografadas, comprovaram sua autenticidade. Logo, a probabilidade de Chico Xavier ter obtido essas informações por meios convencionais foi praticamente descartada. Diante disso, mesmo após sua morte em 2002, Chico Xavier, o homem simples, que pregava a humildade e a caridade através da doação dos direitos autorais de suas obras para instituições assistencialistas e sua vida de desapego material, traz à tona a possibilidade do cientificismo acadêmico comprovar a fé, mesmo com um histórico de oposição entre eles.

Na Idade Média, quem ousasse utilizar a razão para contestar dogmas da Igreja Católica sofria severas punições, como o cientista italiano Giordano Bruno que foi queimado pela fogueira da inquisição ao defender o heliocentrismo - planeta Terra girava ao redor do Sol. Agora, séculos após, a contemporaneidade é marcada pelo avanço imensurável das descobertas científicas e, consequentemente, a brevidade do conhecimento.

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Além disso, os países atuais, em sua maioria, são configurados em estados - nação e laicos, acentuando ainda mais a cisão entre fé (intrínseca/subjetiva) e ciência (universal). Assim, a razão é sinônimo de modernidade e externada em comportamentos como: o individualismo, o consumismo e o antropocentrismo frente ao meio natural.

Nesse aspecto, a fé se configura como algo arcaico e ausente de comprovação material, sendo colocada em segundo plano pelo conhecimento formal.

Portanto, o estudo acadêmico da psicografia de Chico Xavier mostra-se como um marco na possibilidade de diálogo entre ciência e fé, sendo vistas agora como fatores complementares, pois o homem, desde a antiguidade clássica, busca harmonizar a relação corpo e alma. Desse modo, abre-se um leque de futuras discussões sobre a real necessidade de se comprovar a fé pelo cientificismo ou manter seu aspecto místico e particular de cada indivíduo.

Contudo, o maior ganho social é o surgimento de possíveis debates públicos sobre o tema, podendo se despir de influências religiosas ou cientificas na construção da compreensão da crença humana sobre vários fenômenos que o cerca.

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