O filme "Rede de Intrigas", lançado em 1976 e dirigido por Sidney Lumet, é uma referência entre as obras que exploram o universo midiático. A história gira em torno do apresentador Howard Beale, vivido por Peter Finch, que é informado sobre seu desligamento da emissora devido aos baixos índices de audiência. Com o programa ainda no ar, Beale comunica publicamente sua demissão e anuncia que cometerá suicídio na próxima semana.

Após enorme alvoroço, ele discursa sobre toda a sua revolta, envolvendo os telespectadores a ponto de as pessoas clamarem por mais palavras do apresentador. A partir daí, ele passa a comandar um noticiário em formato de show, no qual sua insanidade é bem recebida pelo público.

Em 1976, a Televisão dominava o cenário midiático do planeta. Competindo com o rádio, o jornal e a revista, exercia enorme influência sobre a população, pois oferecia informação e entretenimento audiovisual de maneira prática e acessível.

O filme "Rede de Intrigas" transcreve fielmente essa realidade, pois se sustenta em torno da expressiva audiência alcançada pelas emissoras da época. A história aborda a televisão tal como um produto empurrado ao público, que a consome cegamente e acredita estar consumindo a realidade.

No decorrer da história, o noticiário-show, comandado pelo "profeta lunático" Howard Beale, atinge altíssimos pontos de audiência e passa a ser interpretado como filosofia de vida.

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Quando o apresentador pede a todos que se dirijam às janelas e gritem que não estão satisfeitos com o mundo, uma grande massa de pessoas atende ao pedido. Quando solicita aos telespectadores que enviem os mesmos dizeres à Casa Branca, em forma de telegramas, seis milhões de pessoas o fazem. Ou seja, as palavras ditas por Beale na televisão controlam a atitude da maioria da população sintonizada no canal.

Ao longo do filme, o próprio Beale critica essa dependência. O apresentador afirma que o conteúdo visto por todos dentro da "caixinha preta" não é, de fato, a realidade. Declara que as pessoas, ao seguirem, sem hesitar, todos os padrões ditados pela televisão, estão funcionando apenas como números e perdendo sua condição individual. E há bastante fundamento nesse argumento, pois as pessoas recorrem à alienação em razão de um conformismo confortável e generalizado - formando uma gigantesca espiral do silêncio.

Os meios de comunicação de massa eram - e ainda são - importantes instrumentos de construção da realidade. O que a imprensa pauta, está pautado também nas conversas e relações interpessoais, ou seja, não só no agendamento de notícias, mas nas opiniões individuais sobre determinados temas. Dia após dia, surgem modelos e situações fabricadas por programas de diversos formatos - a exemplo do noticiário do filme "Rede de Intrigas" -, que difundem padrões de comportamentos no intuito de moldar o público.

É de extrema importância que o indivíduo busque, baseado em suas experiências e bagagens culturais, filtrar as informações que o bombardeiam a todo instante. Caso contrário, ele se torna apenas mais uma ovelha em um rebanho de proporções inestimáveis.

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