A tecnologia mostra sua dura face ante a mais umacategoria de profissionais: os taxistas. Um simples aplicativo usado nossmartphones, (ou, brevemente, esmartefones) procura e oferece caronas. É sóligar para conseguir uma carona. A viagem sai bem mais em conta do que usandoum táxi. Não há porque reclamar, afinal, quem quer ir de táxi, pode usar umaplicativo igual e de grande eficiência. Clicou, apareceu.

O que acontece, na verdade, é aevolução dos tempos. Há alguns anos a máquina de datilografia desapareceu semdeixar rastros. Claro que a datilógrafa continuou trabalhando, dessa vez, com oteclado e o computador. Se a tecnologia não afetou tanto o trabalhador,alterou, para melhor sua eficiência. O mesmo não aconteceu com os caixaseletrônicos nos bancos. Lembra de quando era necessário ir até um guichê nobanco para fazer um saque, ou pagar uma conta?

Hoje não é mais necessário, apesarde possível. Os bancos mudaram, mas, infelizmente, não para melhor. As filascontinuam grandes, e parece que sempre falta pessoal e máquinas para atenderem a demanda. Piorpara todos nós. Mas, e o taxista? Vai perder o seu emprego? Talvez, sim. Assimcomo o leiteiro perdeu o seu.

Mas não podemos deixar de ver queos taxistas, como qualquer outra categoria profissional, querem o melhor paraeles, mesmo sem oferecer sua contrapartida de melhoria para nós, que formamos ocontingente populacional e seus clientes.

Senão, vejamos: antes os taxistasrodavam pelas ruas atrás de passageiros, e podíamos encontrá-los. Hoje elesficam estacionados em locais específicos esperando os usuários chegarem. Depreferência em lugares movimentados como supermercados, bancos, shoppings. Aproveitamo telefone celular para se colocarem à disposição de clientes privativos,causando assim certo “canibalismo” ante os seus próprios colegas, que, claro,fazem o mesmo.

E agora, quando o usuário resolve usar a tecnologia a seu favor,os motoristas reclamam, alegando deslealdade. O usuário, na rua, fica sem apoio se não tiver um celular com o número de um profissional do volante. Cada um se defende como pode. Dessa vez é o usuário que pode pedir ajuda a outra pessoa que não seja um taxista.

Acredito que tem um pouco de miopia e de exageronessas reclamações, pois há aquelas pessoas que não se arriscariam a pegar uma caronacom um motorista qualquer que não seja um profissional à frente de um táxi. Damesma forma, há aqueles usuários do app da carona, e que nãosão, não foram, nem serão usuários de táxis. Se o mercado é grandee funciona, há espaço para todos. Se o transporte de aluguel está para serextinto, não será por causa de um aplicativo que ajuda as pessoas aeconomizarem dinheiro e tempo, e de quebra fazer uma amizade. Quando chegar otempo dos táxis sumirem das ruas, algo vai substituir esse serviço à altura e,quem sabe, os próprios motoristas é que deixarão de lado os automóveis e serãoos primeiros a oferecerem a novidade. É esperar para ver.
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