Alguns estados aparecem em primeiro lugar na luta dos pais pelos direitos de seus filhos por considerarem que a reprovação escolar não é um caminho educativo. No estado de São Paulo foi homologada em julho de 2014 a Deliberação CEE-SP n.127/2014 que altera a Deliberação CEE-SP n.120/2013, definindo prazos, incluindo o pedido de reconsideração e que esse deverá ser protocolado na escola em até 10 dias, contados da data da divulgação dos resultados e permitindo que o Conselho de Classe reveja com mais calma o processo do aluno específico a partir de um pedido dos pais que pode iluminar alguns pontos que não foram considerados na hora do Conselho de Classe geral.

Para alguns educadores, a reprovação é inadmissível, podendo causar sérias consequências para a criança. Consideram que a reprovação, se existir, não é só do aluno, mas também da escola, cuja função é ensinar. É necessário que a escola comece a se preocupar mais com a verdadeira aprendizagem do estudante, impedindo a retenção escolar.

Antes da reforma escolar, a reprovação não causava mal-estar entre os docentes, que consideravam parte do processo educacional, justificando, geralmente, como "incapacidade" ou "desleixo" do aluno.

O processo era tão normal que quase não se questionava a consequência da retenção para os alunos e seus familiares e o impacto no processo educacional brasileiro. Antigamente muitas práticas eram aceitáveis, respeitando sempre o comando do professor em sala de aula e suas punições. Esse tempo acabou e os alunos hoje precisam defender os seus direitos e os professores também precisam respeita-los, assim como ambos precisam arcar com as suas responsabilidades.

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Governo Educação

A relação mudou.

No momento em que a Educação passou a ser concebida como direito e o Estado adotou medidas para preservar o acesso das pessoas à escola, as condições materiais, sociais e culturais nas quais a escola seriada estava inserida mudaram. A educação passou a ser um direito do indivíduo e os pais passaram a dar mais atenção ao que se passa no mundo escolar dos seus filhos. Dessa forma começa a surgir uma maior preocupação das escolas para manter uma relação de parceria e de confiança mútua entre escola e família do estudante.

No âmbito do Governo federal, as escolas públicas evitam a reprovação do aluno. Outras possibilidades são viabilizadas para que o estudante não tenha que repetir todo um ano escolar. É permitida a realização de disciplinas em regime de dependência, cursadas em horário contrário ao do ensino regular ou mesmo reclassificação, onde o estudante é matriculado na série em que repetiu, mas pode realizar o pedido de reclassificação após o início do curso, de acordo com cronograma da escola.

Nas instituições privadas nem sempre essas possibilidades existem. Apenas algumas escolas particulares permitem a progressão da série com a realização de dependência da disciplina perdida e muitas não realizam reclassificação, apesar de constar em legislação própria, considerando os requisitos.

Nesse movimento em que ocorreram diversas conquistas para os paulistas e cariocas, passa a ser de suma importância que os Conselhos Estaduais de Educação de outros Estados também estudem a matéria sobre reprovação escolar e a disciplinem, uma vez que não está instituído o assunto a caráter nacional, contemplando instituições públicas e privadas.

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