No final do ano passado as notícias sobre a Operação Lava-jato pipocavam na mídia, o que me fez publicar a matéria sobre as pessoas não protestarem contra a corrupção: Protestar saiu de moda.

Agora, com a chegada do ano novo, os aumentos estão chegando. E, ao que tudo indica, a indignação teve um recrudescimento. Parece que o bolso do cidadão é o ponto sensível do gatilho que dispara a ordem do "levante-se e faça alguma coisa".

Estão indo às ruas novamente.

O alvo do momento são os aumentos concedidos às passagens dos transportes públicos coletivos. Ônibus, trens e metrôs chegam às paradas com novas tarifas a serem pagas. Se levarmos em consideração que existem custos que precisam ser ressarcidos para repor peças que desgastam com o uso, troca de veículos, pagamento de salários que são alvo de reajustes, compra de combustível, e outros, poderemos chegar a algumas conclusões:

- Os valores das tarifas devem aumentar, e isso ninguém quer;

- Os transportes (bens e serviços) vão cair de qualidade, e isso ninguém quer;

- O governo deve arcar com os custos dos serviços públicos, e isso todo mundo quer, mas o governo não.

Em algumas cidades o transporte público é gratuito. Se isso realmente existe, por que não pode ser assim em todas as outras? Talvez a resposta esteja na equação que define a administração dos recursos recebidos via taxas, tarifas e impostos, que devem voltar de forma a promover qualidade de vida ao cidadão.

Mas, parece que ninguém quer entender que quando o dinheiro é bem administrado há possibilidade de que o transporte público, por exemplo, seja gratuito.

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Política

Mas a quem interessa o transporte gratuito? Somente à maioria da população, pois os donos das empresas querem mais é ganhar dinheiro com a cobrança das tarifas. E eles são amigos dos políticos, quando não são os próprios políticos, que têm como função legislar sobre a estrutura do transporte público, como as concessões para explorar o serviço e os próprios aumentos das tarifas.

Em suma: Se o cidadão se indignar e protestar contra a corrupção, que diminui os recursos do país de forma errada, levando o dinheiro para mãos erradas, e sem prestar o devido serviço à sociedade, em pouco tempo haverá recursos para que a administração o use para oferecer esses serviços gratuitamente e com qualidade.

Se já temos educação e atendimento à saúde sendo oferecidos sem pagamento, podemos ter também o transporte.

Há quem vá dizer que os serviços oferecidos não são de qualidade, ou em pouca quantidade. Pode ser verdade, porém, cabe à sociedade exigir que esses serviços sejam melhorados também. Mas o cerne de toda a mudança será o protesto contra a corrupção, exigindo a prisão dos envolvidos, a restituição do dinheiro desviado, a expulsão dos maus políticos das hostes dos partidos políticos, a cassação de registro dos maus partidos políticos e outras atitudes que permitam que uma nova consciência brote nos cidadãos.

Quebrar ônibus, agências bancárias e lojas, pichar muros e monumentos, jogar pedras ou bombas na polícia e qualquer outra ação contra a própria sociedade só pode ser classificada como estupidez. O caminho não é esse.

Há que reclamar e exigir melhorias, sim. Há que se defender de aumentos e custos que afetem diretamente o orçamento individual de cada um. Mas a melhor forma de fazer isso é acertar o alvo.

Ao que me parece, precisamos ver a corrupção, como sendo nossa maior inimiga. É ela que nos faz vítimas dos maus serviços.

Vamos às ruas, mas para gritar "não à corrupção".

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