Divulgados os resultados do ENEM, muita choradeira nas casas e nas mídias. Pelos resultados individuais e pelo coletivo. Individualmente, muitos choraram de tristeza ao ver suas pífias notas que os impossibilitam de seguir avante na corrida rumo a um diploma de curso superior. Outros, de alegria, ao perceberem que as chances de conquistar uma vaga na universidade ainda subsistem. Não é garantia, mas ainda estão na luta.

Pior mesmo é quando se analisa o coletivo e se constata que o ensino não está bem das pernas. Problemas que o governo vai ter que encarar e tentar resolver nos próximos anos. Assim como os candidatos que queriam ingressar e não conseguiram, pois terão que se esforçar e tentar noutras oportunidades.

Sou de um tempo em que o ingresso era feito via Vestibular, com escolhas de curso e instituição feitas na inscrição.

Passou do ponto de corte, tínhamos que disputar a vaga com a nota que tiramos. Entravam as melhores notas. O resto era automaticamente deixado de fora, apesar da chance de remanejamentos, e tinha que se dedicar a vestibulares nas privadas (sem trocadilho) e esperar outro vestibular no fim do ano. O que tinha de bom naquele sistema era o resultado dado "na hora". Passou, passou. A angústia era uma só, que se resumia a esperar o resultado ser publicado.

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Educação Opinião

O aluno quer a melhor universidade

Hoje o candidato passa numa etapa, fica aguardando outra, se inscreve, escolhe o curso e a instituição, vê se dá para ficar, confirma, desiste, escolhe outra opção, "negocia", experimenta, se ilude aqui e ali, tentando chegar lá.

Entendo o sistema atual como mais democrático, ao permitir o acesso de forma mais fácil, porém, o vejo como criador de angústia, pois maximiza as situações de espera, potencializa os momentos de fantasia do candidato sobre conseguir ou não a vaga pretendida e o força a manter a atenção durante todo o período de inscrição, pois a cada nova inscrição feita, a sua pode ser rebaixada e terminar o dia fora do páreo, fazendo com que o candidato vá procurar uma vaga noutro curso.

Aí é ele que vai fazer o mesmo com quem já está na lista dessa segunda opção.

Serão alguns dias de angústia até o final das inscrições, quando aquelas melhores notas garantirão aos seus donos as vagas existentes, como antigamente. Isso vai trazer choro a muitos outros rostos, pois as vagas não comportam tantos desejos. Muitos candidatos se conscientizarão que os seus esforços foram em vão. Não valeu a fantasia, a expectativa, nem a nota do ENEM. Restará, como antes, tentar uma seleção privada e o consolo de que ano que vem tem mais.

A Universidade quer o melhor aluno

Aos que entrarem, só resta torcer para que as escolhas correspondam às expectativas criadas em relação ao curso e, também, para que eles correspondam às expectativas que a instituição e a sociedade têm ao receber um aluno para o curso que ela oferece.

Uma vaga em um curso superior custa caro à sociedade que a mantém. Cabe ao governo oferecer Educação ao seu povo, mas é preciso que as pessoas entendam que as vagas precisam ser preenchidas por alunos capazes, competentes, responsáveis e comprometidos.

Ocupar uma vaga significa que alguém ficou de fora. Não se empenhar para a conclusão do curso, levá-lo "nas coxas", não ser um profissional digno desse título, trará muitos malefícios e prejuízos à sociedade, que se empenhou para oferecer educação e não foi correspondida.

Entrar é importante, mas sair com diploma e com vontade de fazer uma sociedade melhor é mais importante ainda.

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