A sociedade precisa encarar os fatos e assumir a falência da atual Educação no país. Não bastam os históricos fracassos representados por baixíssimos índices de aprovação nos exames da OAB ao longo do território nacional mas o constante, e quase motivo de piadas, resultados dos exames internacionais de conhecimentos em ciências exatas.

O fracasso da enorme e assustadora quantidade de notas "zero" obtidas por candidatos aspirantes ao ingresso nas universidades e centros históricos de produção de conhecimento em todos países do mundo apenas representa, como o ápice de um enorme e desconhecido iceberg, as condições estruturais e, vergonhosamente, conjunturais que nossa sociedade permitiu que chegasse ao terceirizar sua responsabilidade direta a políticos e intelectuais.

O problema maior é que mais de quinhentos mil candidatos com notas zero significa dizer que a qualidade dos profissionais e cidadãos que irão gerenciar a sociedade daqui a vinte anos já está, inexoravelmente, comprometida, sobretudo em capacidade de enxergar, discernir e lidar com os crescentes desafios colocados pela constante e irreversível interação e integração pela globalização.

Quando verificamos o percentual vergonhosamente baixo da destinação orçamentária pela Lei do Orçamento Anual (LOA), que nos últimos quinze anos gira no entorno de apenas 3%, há que se considerar que a sociedade não está assumindo seu papel de uma madura e responsável governança social, posto que tais percentuais são avaliados e aprovados por políticos democraticamente eleitos.

Apagão de mão de obra, analfabetismo funcional, queda na produtividade industrial e, principalmente, queda da qualidade da produtividade individual do trabalhador brasileiro - medido por levantamento do Banco Mundial em 2014 - fazem parte de nosso cotidiano que, de tão constantes, já não causam qualquer sobressalto no cidadão, tampouco os impele a cobrar dos políticos eleitos e dos Conselhos de Ensino espalhados nos 26 estados da federação.

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Educação

Quanto à competitividade internacional de nossos produtos, os elevados custos dos encargos trabalhistas e a baixa qualidade geral dos bens e serviços aqui produzidos não estão estimulando investidores estrangeiros, instituições e países a projetarem nossa produção. Diante de tais quadros ainda é mais barato e seguro investir em países em desenvolvimento na Ásia e África do que em nós, não obstante às melhores qualidades de nosso clima, recursos naturais e estabilidade de nossa idiossincrasia social.

Se quisermos ser um país que, de fato, quer reduzir a desigualdade social e ampliar sua capacidade de competitividade mundial a educação levada a sério é o primeiro e fundamental item de uma extensiva pauta de correções e ajustas urgentes.

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